Corpo de Eloá é enterrado e 12 mil acompanham a cerimônia

Família recebeu a solidariedade de amigos; cerca de 30 mil pessoas passaram pelo local

21 de outubro de 2008 | 10h31

O corpo de Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, foi enterrado por volta das 9 horas desta terça-feira, 21, e a cerimônia foi acompanhada por cerca de 12 mil pessoas. O enterro foi feito no Cemitério Jardim Santo André, na Vila Humaitá. O cortejo saiu do local do velório às 9 horas e uma multidão que acompanhava a cerimônia aplaudia a garota. O enterro terminou às 9h40, quando os familiares começaram a retornar à sala do velório, onde ficariam até as 10 horas. Os familiares e amigos próximos da adolescente seguiram ao lado do corpo protegidos por um cordão de agentes da Guarda Civil Metropolitana até o jazigo. A mãe, amparada por uma enfermeira do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e os familiares jogaram rosas em cima do caixão no momento do enterro.   Veja também: 'Eu sabia', diz Nayara sobre morte de Eloá Leia o depoimento de Nayara após ser libertada por Lindemberg 'Eu perdôo Lindemberg', diz mãe de Eloá 'Eu lembro que eu dei um na Eloá', diz Lindemberg Lindemberg é transferido para Tremembé Polícia Civil investigará ação do Gate  100 horas da tragédia no ABC  Saiba como foi o fim do seqüestro Confira cronologia do seqüestro Galeria com imagens do seqüestro Todas as notícias sobre o caso Imagens da negociação com Lindemberg Alves I  Imagens da negociação com Lindemberg Alves II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Eloá, 'uma menina falante'; Lindemberg, 'um trabalhador' Seqüestro em Santo André é o mais longo registrado em SP     Milhares de pessoas se solidarizaram com a família de Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, durante o velório e o enterro da menina. Desde as 15 horas de segunda, uma multidão já esperava o corpo da jovem para acompanhar o velório. Até o começo da manhã desta terça, cerca de 30 mil pessoas estiveram no local, segundo informações da GCM. Eloá foi vítima do mais longo seqüestro da história de São Paulo: ficou mais de 100 horas refém do ex-namorado, Lindemberg Alves, de 22 anos, que foi transferido na noite de segunda ao presídio de Tremembé, no interior do Estado.   Entre 6h30 e 8 horas, 3 mil pessoas foram ao velório. Por conta do grande número de pessoas no local, a polícia militar montou um esquema especial de segurança, com reforço do contingente policial, do lado de fora do cemitério e durante a cerimônia de sepultamento. No começo da manhã, apenas familiares e amigos ficaram no local para participar de um culto religioso. O pai da menina não acompanhou o velório e o enterro, já que estaria muito nervoso e sofre de problemas de pressão.   Ao se pronunciar à imprensa, o irmão da jovem comentou que a irmã não havia morrido, "ela se multiplicou", se referindo aos órgãos doados pela família. "Se Deus a levou, levou com o propósito de salvar essas sete vidas", comentou. "Ela era uma pessoa boa. Acho que lá no céu ela vai estar muito feliz por ter salvado vidas", completou.   A tragédia motivou uma série de manifestações de solidariedade, algumas de outros Estados. A primeira veio da direção do Cemitério de Santo André, que doou o jazigo para abrigar o corpo da jovem. A família recebeu um jazigo perpétuo, com três gavetas, vendido normalmente por R$ 6 mil. Somadas as taxas de velório e sepultamento, houve uma isenção de R$ 7 mil. "É uma forma de diminuir, nem que seja um pouquinho, a situação dolorosa que a família enfrenta. Houve uma comoção popular muito grande nesse caso. Por isso, o cemitério acabou oferecendo esse benefício", afirma Altimar Augusto Fernandes, um dos diretores e donos do cemitério particular da cidade do ABC paulista.   Na segunda, desde o início do dia, as duas telefonistas que trabalham no cemitério não pararam de receber ligações solidárias à família de Eloá. Segundo Fernandes, cada uma chegou a atender cerca de 40 telefonemas por hora. "Tem gente do Brasil inteiro ligando, se solidarizando. Um rapaz queria pagar a manutenção do jazigo. Outro ligou dizendo que tinha duas filhas e não podia deixar de ajudar. Falamos para eles que não seria preciso pagar nada, que o cemitério havia oferecido", afirmou o empresário.   Para exemplificar a dimensão da rede de solidariedade formada espontaneamente, o dono do cemitério citou telefonemas recebidos de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e Fortaleza, no Ceará. "Estamos pedindo a essas pessoas que oferecem ajuda que colaborem diretamente com a família ou então ajudem instituições que trabalhem contra a violência, para preservar a paz", afirmou Altimar Fernandes.   O cemitério é ajardinado. O jazigo de Eloá seguirá o padrão do local e receberá, na lápide, um pergaminho de bronze com o nome da jovem e as inscrições da data de nascimento e morte, sem foto. "Não imaginávamos que passaria tanta gente por aqui. Pela velocidade que a fila anda e não acaba, não dá para imaginar quantas pessoas passarão", afirma o dono do cemitério, que adiantou que o velório de Eloá é o mais movimentado da história do lugar, inaugurado há 30 anos.   (Com informações de Daniela do Canto e Fábio Mazitelli, do Jornal da Tarde, Solange Spigliatti, do estadao.com.br, e Vitor Hugo Brandalise, de O Estado de S. Paulo.)

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