Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Corpo de desaparecido em festa é encontrado na raia olímpica da USP

O estudante Victor Hugo Santos, de 20 anos, estava sumido desde a madrugada de sábado, 20, após ter deixado a companhia de amigos 

Marco Antônio Carvalho, Especial para o Estado

23 Setembro 2014 | 07h59

Atualizado às 10h45

SÃO PAULO - O corpo do estudante Victor Hugo Santos, de 20 anos, desaparecido durante uma festa do interior do câmpus Butantã da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital paulista, foi encontrado na raia olímpica na manhã desta terça-feira, 23. O corpo foi retirado da água, onde havia sido encontrado por volta das 6h. O local foi isolado pela Guarda Universitária da USP.

O corpo foi recolhido da raia olímpica por volta das 10h e levado ao Instituto Médico Legal (IML) central. Policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) estiveram no local, mas não falaram com a imprensa sobre o caso. Perícia técnica foi realizada.

Familiares e amigos de Santos estiveram na USP para reconhecer o corpo do jovem. Ele estava com a mesma camisa preta com detalhes amarelos que usava no dia que desapareceu.

Emocionado, um pai de um amigo de Santos disse ter ido ao local a pedido da família. "Meu filho é amigo dele de infância. Estávamos buscando desde sábado. Não sei o que pode ter acontecido", disse Antonio, que é funcionário da prefeitura de Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo.

De acordo com o delegado Paulo Bittencourt, do 93º Distrito Policial (Jaguaré), que esteve no local na manhã desta terça-feira, o jovem não tem ferimentos expostos e aparentes que tenham sidos visualizados em um primeiro momento.

A raia olímpica fica a menos de 100 metros do velódromo, que sediou a festa na noite de sexta-feira e madrugada de sábado.

José Carlos Simon, professor de remo e diretor técnico do Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp), disse que no sábado, 20, pela manhã, data do desaparecimento do jovem, a raia recebeu treinos, mas não foi relatada nenhuma ocorrência. Toda a raia, que tem 2.500 metros de extensão, é cercada, e o acesso ocorre mediante autorização e apresentação de carteirinha em um dos quatro portões. Ela tem em média 2,5 metros de profundidade e não tem conexão com canal, córrego ou rio próximos.

"O acesso é restrito. Só entra com carteirinha. Vou saber se pulou? Estou aqui há 40 anos e nunca vi ninguém pular, cair na água e morrer", declarou Simon.

Desaparecimento. Santos foi visto pela última vez por volta das 4h do sábado passado após ter deixado a companhia de amigos para buscar cerveja dentro de uma festa no velódromo da USP. O evento comemorava 111 anos do Grêmio Politécnico da instituição e reuniu cerca de 5 mil pessoas.

A festa era "open bar" (com bebida gratuita no interior do espaço) e tinha ingressos entre R$ 30 e R$ 90, com participação de nomes nacionais da música como Marcelo D2 e CPM 22. Os artistas compartilharam em suas páginas da rede social Facebook a mensagem da irmã de Santos, Bruna Costa.

Ela lançou um apelo pela web com uma foto do desaparecido vestindo uma camisa preta com detalhes amarelos, a mesma que usava na noite da festa. "Já procuramos em todos os lugares possíveis e impossíveis. Fomos em todos os cantos e nada", disse Bruna ao Estado na tarde desta segunda-feira, 22. Ela acrescentou ter buscado em hospitais, delegacias e no Instituto Médico Legal (IML), sem sucesso.

Pela rede social, diversas pessoas comentaram relatando ter visto um rapaz parecido com Santos, que tem 1,80 metro de altura, ser retirado à força do evento por dois seguranças. "Pessoas disseram ter visto uma pessoa ser retirada no mesmo horário que ele sumiu. Mas a empresa dos seguranças afirmou que não houve nenhuma ocorrência similar", disse Bruna. 

Em comentários da página, outros participantes da festa reforçaram a informação de que um jovem havia sido retirado do local por seguranças. "Vi dois seguranças lutando muito para tirar um rapaz de camiseta escura da festa. Chegaram a derrubá-lo no chão com uma rasteira. Um segurança caiu em cima dele. Fez um barulho bem forte no chão, não sei se ele bateu a cabeça. Assim que levantaram, expulsaram o menino e ele saiu cambaleando, sozinho", disse uma das testemunhas no Facebook.

A USP autorizou a realização da festa, que contava com 140 seguranças particulares contratados pelo Grêmio. De acordo com o presidente do Grêmio, André Simmonds, em nenhum momento houve desentendimento em que se necessitasse intervenção da equipe de segurança e retirada de participantes do local.

Pistas de que o jovem teria sido atendido na enfermaria próxima do evento também não foram confirmadas. Naquela noite e madrugada do dia seguinte, ninguém foi encaminhado ao hospital ou permaneceu por atendimento prolongado no local, segundo familiares.

O caso foi inicialmente registrado na 5ª DP de Osasco, onde o jovem morava. A investigação conta com apoio de equipes do DHPP da Polícia Civil paulista, onde familiares prestaram depoimento na tarde desta segunda-feira.

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