Corpo de arquiteta assassinada é enterrado no Morumbi

Emocionadas, cerca de 300 pessoas, entre amigos e parentes, estiveram no Cemitério da Paz

Felipe Grandin, do Jornal da Tarde,

16 de agosto de 2007 | 17h04

O corpo da arquitetaJamile de Castro Nascimento, morta no dia 17 de julho quando vistoriava um apartamento na Vila Mariana, zona sul da capital paulista, foi enterrado na manhã desta quinta-feira, 16, no Cemitério da Paz, no Morumbi. O corpo chegou ao cemitério às 9h20, escoltado por dois carros do Deic. Durante o velório, um padre católico e um pastor batista oraram diante do caixão lacrado. Em seguida, por volta das 11 horas, o corpo da arquiteta de 24 anos foi enterrado. Cerca de 300 pessoas, entre amigos e parentes, estiveram no cemitério. Emocionados, os familiares não continham o sentimento de revolta diante da violência e da falta de segurança na cidade. "Hoje infelizmente é mais uma vitima, e é minha filha", disse o pai de Jamile, o bancário João Carlos Nascimento, de 53 anos. "Essa semana foi Tamires e Jamile, semana que vem será Maria, José, quem mais? Alguma coisa tem que acontecer", desabafou, lembrando do assassinato da estudante Tamires da Silva Pança Burlani, morta em um assalto em Diadema.  O bancário contou também que tinha esperanças de encontrar a filha com vida. "Sentia muita dor, mas tinha certeza de que ela iria voltar." Ele acrescentou que uma semana após o sumiço, pensou que se ela tivesse morrido, já teriam encontrado o corpo. "Infelizmente não foi assim." Sobre o que sente pelo suspeito de assassinar a filha, o porteiro Jadson José dos Santos, foi direto: "Eu não quero vingança, quero justiça". O crime Santos confessou na quarta-feira à polícia que matou aarquiteta Jamile de Castro Nascimento, de 24 anos, e escondeu o corpo na fossa do prédio em que trabalhava. Até a madrugada de quarta, ele negava o crime, mesmo depois de ter levado os policiais até o local onde o corpo ficou escondido por 28 dias. Em depoimento à polícia, Santos contou que atraiu Jamile para sua guarita quando ela saía do prédio, no dia 17 de julho, alegando que era preciso preencher o registro de visitantes. Jamile tinha ido ao local para avaliar um apartamento. Quando a arquiteta entrou na cabine, o porteiro a dominou e bateu com a cabeça dela no chão. Logo depois, ele escondeu o corpo na fossa, cuja tampa fica dentro da guarita, perto da porta. Exames feitos no Instituto Médico Legal (IML) confirmaram a morte da arquiteta por traumatismo craniano. "Tudo indica que tenha sido instantânea", afirmou o delegado. O crime aconteceu por volta das 11 horas e Santos continuou trabalhando normalmente até às 16 horas. Segundo a polícia, já foram ouvidos todos os moradores e funcionários que poderiam estar no prédio naquele momento, mas ninguém viu nada. O porteiro afirmou que matouJamile para levar o dinheiro e o carro da arquiteta. Segundo o delegado responsável pelo caso, Eduardo Lima, da Divisão Anti-Seqüestro (DAS), Santos disse, em depoimento, que 'às vezes sente uma coisa e que precisa sair para roubar'. Ele foi preso no dia seguinte ao crime, dirigindo o carro da vítima . E já havia sacado R$ 500 e comprado dois celulares com o cartão de Jamile. O porteiro demorou quase um mês para falar onde estava o corpo. "Ele é muito frio, age como se não soubesse de nada", disse o delegado. Apesar de ter confessado, Santos voltou a negar logo depois. Segundo Lima, o depoimento tem muitas contradições. "Em alguns momentos ele nega, em outros ele fala, mas os fatos não deixam dúvida do envolvimento dele no crime." Santos será indiciado por latrocínio e ocultação de cadáver. Ele já responde pelo roubo da bolsa e do carro de Jamile e por dois seqüestros relâmpago que fez anteriormente. Na quarta, outra vítima entrou em contato com a polícia e o reconheceu. Trata-se de uma guarda civil metropolitana, que disse ter sido agredida e assaltada por ele no Shopping Aricanduva, na Zona Leste da Capital. O porteiro está preso no Centro de Detenção Provisória do Belém. Sua mulher, Talita Resende, 24 anos, detida desde sexta-feira, foi solta ontem, a polícia concluiu que ela não estava envolvida no crime.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.