Coronel pede liberdade para PMs acusados de matar jovem

Comandante dos quatro denunciados foi autor de pedido de habeas corpus; especialistas chamam atitude de 'descabida'

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2012 | 03h01

Quatro policiais militares acusados pelo Ministério Público Estadual de matar Thiago Júnior da Silva, de 16 anos, em 17 de março do ano passado, em Guarulhos, e presos provisoriamente ganharam a liberdade por causa de um pedido de habeas corpus inusitado. Quem pediu a soltura dos denunciados foi o tenente-coronel Antonio de Mello Belluci, responsável pelo 31.º BPM, onde todos trabalham. Especialistas dizem que é absurdo o comandante intervir no andamento do processo na esfera judicial.

Edilson Luiz de Oliveira, Ednaldo Alves da Silva, Fabio Henrique da Silva e Paulo Hernandez Bastos foram denunciados, acusados de matar o adolescente. Thiago sumiu durante uma operação policial no Parque Santos Dumont. O corpo foi encontrado um dia depois na mata, com marca de tiro à queima-roupa. Segundo testemunhas, ele implorou para não ser morto e foi ameaçado por um PM dias antes. Os policiais negam a acusação, dizem que houve troca de tiros e que o jovem e amigos dele fugiram para o matagal, onde dois foram presos com drogas.

Entre os argumentos para o pedido de habeas corpus, o tenente-coronel Belluci escreveu que o fato de seus comandados serem policiais e andarem armados pelo bairro não significa que eles vão ameaçar as testemunhas do processo.

Especialista em segurança pública, o coronel da reserva da PM José Vicente da Silva disse que nunca viu algo parecido em 49 anos de carreira militar. "No mínimo, ele deveria se abster. Passa a ser um caso de Justiça, não de administração policial. É uma atitude descabida, a partir do momento em que está na esfera do Poder Judiciário."

O promotor Marcelo Oliveira, responsável pelo caso, também se surpreendeu. "A postura ideal de um comandante de batalhão é ser isento, permitir que façamos o trabalho. Não consigo entender o que o faz se empenhar tanto."

Procurado, o oficial não se manifestou. Já a Polícia Militar disse apenas que o habeas corpus pode ser solicitado por qualquer cidadão. /COLABOROU MARCELO GODOY

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