Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Coronel Marcelino deixa comando da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo

Oficial atingiu tempo limite do serviço e passou para reserva. Maior parte da sua carreira foi em atividade pela corregedoria. 'Estado' mostrou que policial é coach nas horas vagas

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de fevereiro de 2020 | 20h24

SÃO PAULO - O coronel Marcelino Fernandes da Silva deixou nesta quinta-feira, 20, o comando da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo, órgão que comandava desde 2017 e onde passou maior parte da carreira. O substituto para o cargo ainda não foi definido e o posto deverá ser ocupado interinamente pelo tenente-coronel Rodney Moreira da Silva, de acordo com informações divulgadas pela corporação. 

A mudança ocorre pelo fato de Marcelino ter atingido o tempo limite de serviço, tendo passado para a inatividade. A passagem do cargo foi registrada oficialmente no Diário Oficial do Estado. Em nota, o comando da Polícia Militar agradeceu Marcelino "por todo o tempo que esteve à frente da Corregedoria". "Sua gestão foi, em todo tempo, pautada pela transparência, competência e respeito absoluto às leis", declarou. 

Sob seu comando, o órgão atuou em uma série de casos emblemáticos, entre eles o assassinato da PM Juliane Duarte, executada pelo crime organizado em 2018. Ele também chefiou a investigação sobre a morte de nove jovens após ação em um baile funk em Paraisópolis, em dezembro. Em janeiro, o inquérito foi finalizado sem apontar culpa para os policiais. 

O Estado mostrou em janeiro que, nas horas vagas, o coronel já tocava uma carreira de coach. Ele realiza curso motivacionais desde 2013 e calcula ter palestrado para mais de 25 mil alunos. Como coach, Fernandes costuma explorar a própria história em palestras. Filho de um cabo da PM, ele conta que trabalhou na juventude como auxiliar de garçom, vendeu pastel na feira e até engraxou sapatos em rodoviária.

No Youtube, há palestras de Fernandes com mais de 23 mil visualizações. Também acumula fãs nas redes sociais - só no Instagram, onde se apresenta como “PM de Cristo” e publica pílulas diárias de conselhos, são 9,6 mil seguidores. “Nunca desista... A realização de seu sonho pode estar para acontecer ainda nesse ano, acredite e já agradeça! O nome disso é fé!”, diz em uma das mensagens. 

Para chegar à posição de comando na PM, um episódio da adolescência teria sido decisivo, segundo relata nos cursos. Certa vez, viu militares batendo continência para “um cara cheio de medalha, de quepe e coisas douradas”. Impactado pela cena, Fernandes teria comentado em voz alta: “Vou ser coronel”.  

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.