Coronel do Rio é solto e juiz ironiza provas da PM

Desembargador diz que se 'brincou de investigar' na apuração contra o comandante de São Gonçalo e ex-árbitro de futebol, Djalma Beltrami

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2011 | 03h04

O tenente-coronel e ex-árbitro de futebol Djalma Beltrami deixou a prisão na madrugada de ontem, após obter habeas corpus do plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio. Na decisão, o desembargador Paulo Rangel ironizou as provas obtidas e escreveu que a Polícia Civil está "brincando de investigar".

Comandante do 7.º Batalhão de Polícia Militar de Alcântara (em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio), Beltrami foi preso na Operação Dezembro Negro, deflagrada na segunda-feira para prender policiais acusados de extorquir traficantes. Ele e 12 policiais militares tiveram as prisões decretadas pela 2.ª Vara Criminal de São Pedro da Aldeia (Região dos Lagos). O desembargador lamentou a decisão e escreveu que o juiz "se deixou levar pela maldade da autoridade policial".

Na gravação da escuta telefônica autorizada pela Justiça, um policial pede a um traficante do Morro da Coruja, em São Gonçalo, R$ 10 mil por semana para o "01", como são chamados os comandantes de batalhões da PM no Rio. Todos os demais PMs, entre eles nenhum oficial, permanecem presos.

O delegado titular da Divisão de Homicídios de Niterói, Alan Luxardo, que comandou a operação, não fala com a imprensa há dois dias. No dia das prisões, ele afirmou que não apenas as gravações provavam o envolvimento de Beltrami, mas outras "provas robustas".

O desembargador ironizou. "Ora, se existem provas, elas devem ser trazidas aos autos de investigação e não ficar na gaveta da mesa do delegado, ou quiçá, no bolso do paletó", escreveu o magistrado. A Polícia Civil ainda investiga a morte de Rafael Rosa Guimarães, conhecido como Mexicano ou Chacal, em troca de tiros com a PM. Suspeita-se que a execução do traficante foi "queima de arquivo", pois ele seria testemunha da negociata. Segundo a PM, Beltrami ordenou a ação que resultou na morte.

Apesar de criticar a Polícia Civil, o desembargador não citou o Ministério Público, que pediu a prisão dos policiais. Ontem, o tenente-coronel não autorizou o advogado Marcos Espínola a dar declarações para a imprensa. Antes da libertação da prisão no QG da PM, no centro do Rio, ele recebeu a visita de ex-comandantes da PM e o apoio da Associação dos Oficiais.

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