Taba Benedicto/Estadão
Taba Benedicto/Estadão

Coronéis esperam manutenção do programa de bodycams em SP; leia análise

Antes de alterar comando, o governador Rodrigo Garcia foi à sede da Rota e os oficiais defenderam o uso das câmeras

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2022 | 22h28

A mudança da cúpula da Segurança Pública teve o dedo do governador Rodrigo Garcia (PSDB), inclusive na escolha do segundo escalão, algo inédito. Garcia queria formar uma equipe identificada com sua gestão, distanciando-se do ex-governador João Doria.

A mudança principal aconteceu na Polícia Militar, em razão da polêmica envolvendo o uso de bodycams, com candidatos ao governo de oposição – o ex-ministro Tarcísio Freitas (Republicanos) e o ex-governador Márcio França (PSB) – afirmando que vão mudar o sistema, apesar dos resultados obtidos.

A expectativa de coronéis da PM é de que o programa das câmeras deve ser mantido pelo governo. Antes de alterar o comando, Garcia foi à sede das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e conversou com os oficiais do batalhão, que defenderam de forma enfática o uso das câmeras. A conversa teria sido decisiva para a mudança de opinião do governador, que tinha dúvidas sobre o sistema.

Segundo coronéis, os oficiais mostraram que as câmeras não reduziram a produção do batalhão – as prisões e apreensões de armas e drogas se mantiveram. E a ação do policial ficou mais segura. Foi justamente o ex-chefe do Policiamento de Choque (CPChoq), o coronel Ronaldo Miguel Vieira, ao qual a Rota está subordinada, que foi escolhido para ser o comandante-geral da gestão Garcia.

Desde que foi instalado em 18 batalhões, em 2021, o programa ajudou a derrubar a letalidade policial e o número de PMs assassinados. Para a PM, o programa aumenta o cumprimento dos procedimentos operacionais, evitando assim que os policiais se coloquem em risco desnecessariamente. A queda de letalidade registrada nos 18 batalhões chegou a 85% – a diminuição na PM em geral chegou a 46%. O número de PMs mortos em serviço em 2021 (4 casos) foi o menor em 31 anos. Até agosto, as câmeras serão adotadas em todos os batalhões na Grande São Paulo.

Com o novo comandante, cinco ou seis coronéis da PM devem passar para a reserva, entre eles Fernando Alencar, o ex-comandante. Além de nomear Vieira, Garcia também escolheu o coronel Renato Nery Machado, que foi comandante da região de Campinas, como subcomandante-geral.

Nery foi o homem que afastou 52 oficiais de dois batalhões da região depois que uma investigação descobriu a existência de uma organização criminosa envolvida com peculato, grampos clandestinos, flagrantes forjados e assassinatos. Os PMs teriam ameaçado entregar um colaborador da Justiça ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O coronel se transformou em alvo de uma campanha nas redes sociais para desacreditá-lo.

Na Polícia Civil, o escolhido para o cargo de delegado geral – Osvaldo Nico Gonçalves – é conhecido pelas boas relações que mantém com empresários, magistrados, políticos e jornalistas – entre eles o apresentador José Luiz Datena, candidato ao Senado pelo PSC.

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