Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Covas diz que escolas particulares e públicas devem retomar aulas ao mesmo tempo

Prefeito de São Paulo criticou o presidente Jair Bolsonaro e afirmou que somente vai autorizar a abertura das escolas depois de receber o resultado do exame dos inquéritos sorológicos para crianças de 4 a 14 anos

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 18h11

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), disse em entrevista nesta segunda-feira que o coronavírus "não é de esquerda nem de direita, é uma realidade a ser enfrentada". Ele também criticou o posicionamento e as declarações do presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia e afirmou que somente vai autorizar a abertura das escolas depois de receber o resultado do exame dos inquéritos sorológicos específicos para crianças de quatro a 14 anos.

Questionado se a data de abertura das instituições públicas e privadas vai ser a mesma, Covas disse que sim. "Aqui a data vai ser a mesma para escola pública e para escola privada. A data de retorno vai ser a mesma, as peculiaridades aí só dentro da escola pública que eu trato. A questão é de saúde, não de ensino. É perigoso para todo mundo, não vai ter data diferente aqui na cidade de São Paulo".

Na entrevista para a rádio CBN, Covas disse que quem vai determinar a melhor data para a volta às aulas é a área da Saúde. "Não vai ser pressão do grupo político A, do grupo político B, de sindicato ou de prefeito que vai determinar a volta às aulas", afirmou.

O prefeito também afirmou lamentar a politização da pandemia, especialmente pelo discurso do presidente Bolsonaro. "Infelizmente foi o que a gente viu no discurso do presidente até agora. A hora que o presidente da República diz que não tem problema, que quem tem saúde não pega (covid-19), acaba criando confusão na cabeça das pessoas."

Covas também informou que São Paulo está um pouco melhor que o resto do Brasil em relação a casos e óbitos de covid-19 e que não vê uma segunda onda da doença chegando à cidade, mas que o coronavírus ainda é uma realidade a ser enfrentada. Na entrevista, o prefeito afirmou que são realizados por dia 5 mil testes do tipo RT-PCR na cidade, totalizando 760 mil, e que o último inquérito sorológico trouxe um dado preocupante, que a prevalência da contaminação continua alta em quem tem mais de 60 anos. 

Segundo o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, o resultado do inquérito sorológico é "decisivo" para decidir sobre a volta às aulas na capital. Os primeiros resultados devem ser tabulados nesta terça-feira. A intenção é saber a prevalência da infecção por coronavírus em estudantes de quatro a 14 anos, e ainda quantas estão com teste positivo, sintomáticas ou assintomáticas. Todos 6 mil os selecionados são alunos da rede municipal - na primeira fase, são 2 mil da pré-escola. 

Segundo especialistas, a Prefeitura da capital precisa autorizar a volta das escolas municipais e particulares na cidade, mesmo que o Estado já tenha liberado para atividades presenciais no dia 8 de setembro, porque é o município que dá a licença para os locais funcionarem. / COLABOROU RENATA CAFARDO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.