Corinthians também diz ser vítima do lixo ilegal

Joaquim Grava, médico do clube e responsável pela obra do CT, afirma desconhecer quem faz o descarte e conta que ele ocorre de madrugada

, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

Irregular. Terra descartada em área da várzea do Tietê, ao lado do futuro CT do Corinthians  

 

Responsável pelas obras do futuro Centro de Treinamento do Corinthians, o médico Joaquim Grava afirma que o clube também é vítima dos despejos irregulares de entulho na várzea do Rio Tietê, na zona leste, em área dentro do Parque Ecológico. As montanhas de lixo que se acumulam no terreno vizinho ao canteiro de obras corintiano não foram depositadas pelos funcionários que trabalham na obra do CT, afirmou Grava ao Estado.

O médico também diz ter licença do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) para fazer o empreendimento no terreno cedido pelo Estado ao Corinthians em 1994, pelo período de 50 anos. "Nós mesmo queríamos fazer a remoção do entulho e já estávamos fazendo. Talvez por isso os moradores viram caminhões nossos lá. O terreno não é do Corinthians e nunca o clube depositou lixo naquele local", argumentou o médico, que vê articulação da oposição à diretoria corintiana nas acusações. "Já ligamos até para o (governador) Alberto Goldmann para entender o que está acontecendo. Fizemos um programa na TV no fim de semana, com o Neto e o Ronaldo, apresentando o CT, e de repente aparecem essas denúncias infundadas. No futebol essas retaliações sempre acontecem", afirmou.

O médico confirma ter recebido duas notificações, da Polícia Ambiental e da Cetesb, mas diz que os órgãos constataram que tudo estava "em ordem" na obra. "A polícia fez uma notificação e um boletim de ocorrência. A advertência foi hoje (ontem). Mas não existe, como esses órgãos puderam observar, nenhuma irregularidade", disse Grava.

O médico diz desconhecer quem faz o descarte de entulho no terreno vizinho ao CT. "Já contaram para mim que uma vez chegaram cem caminhões de uma vez durante a madrugada. Isso ocorre sempre de madrugada, não dá para nossos funcionários saberem quem são os responsáveis pelo crime."

Sem multas. Joaquim Grava ressalta também que o clube nunca foi multado por irregularidades na obra do CT, apesar das notificações da Polícia Ambiental terem virado um inquérito na Delegacia Estadual de Meio Ambiente. "Eu sou médico, não sou engenheiro. O que estou fazendo ali na obra é um bem para São Paulo, para o Brasil. Jamais cometeríamos infração ambiental, pelo contrário. Nossa obra é um modelo de sustentabilidade, feita só com material metálico e projetada pelo arquiteto Ruy Ohtake", completou. / D.Z.

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