Corinthians: R$ 990 mil de multa por crime ambiental e obra de CT proibida

O Corinthians foi multado em R$ 990 mil pela Secretaria Municipal do Verde em abril, por causa do despejo irregular de entulho em uma área de preservação na várzea do Rio Tietê, na zona leste de São Paulo. O terreno de 30 mil metros quadrados, coberto por terra e lixo, fica ao lado da obra do novo centro de treinamento do clube de futebol.

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2010 | 00h00

O caso foi revelado ontem pelo Estado e motivou o embargo da obra corintiana pela Companhia de Saneamento Ambiental (Cetesb). Em nota oficial, a pasta do Verde acrescentou ainda que a construção do CT não tem licença ambiental da Prefeitura. Ontem pela manhã, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente também informou que a obra foi embargada pela Polícia Ambiental e não pode prosseguir, sob pena de multa que varia de R$ 5 mil a R$ 100 mil.

O clube diz ter recorrido da multa do governo municipal, admitiu a falta de licença da Cetesb, mas argumenta ter autorização do Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee). O terreno do CT, dentro do Parque Ecológico, foi cedido pelo governo estadual ao clube em 1994, por 20 anos. "As obras continuam. Nunca jogamos entulho fora de nosso terreno", afirmou ontem o médico Joaquim Grava, responsável pelo empreendimento de R$ 20 milhões.

A área coberta por terra e entulho se tornou de preservação permanente em fevereiro, após decreto do governador José Serra (PSDB). A medida visou a combater a impermeabilização dos terrenos próximos do Rio Tietê, considerada pelo próprio governador uma das principais causas das inundações de bairros como os Jardins Romano e Pantanal, também na zona leste.

Apesar de as obras do Corinthians estarem em andamento há oito meses sem licença ambiental, o governo anunciou que 29 policiais fariam a fiscalização da nova área de preservação na várzea do Tietê, cuja extensão é de 123 mil m².

Campos. Parceira do governo do Estado na gestão do Parque Ecológico, a organização não-governamental (ONG) Mãos Que Se Unem diz que o entulho encobriu dois campos de futebol usados pela comunidade de Ermelino Matarazzo até o início de 2009. "Na época em que o Corinthians estava fazendo movimentação de terra no local, quando a obra do CT ainda não tinha cerca, muita gente aproveitou para também despejar entulho ali", contou Ediomar Nascimento, presidente da ONG.

Segundo Nascimento, a direção corintiana prometeu à comunidade construir um vestiário ao lado dos campos que foram aterrados. "Mas o governo do Estado proibiu o Corinthians de fazer a obra para nós, e acabamos ficando até sem campo", completou.

Cronograma

A inauguração do complexo esportivo estava prevista para agosto. Após a Copa, o plano era transferir os treinos para o novo CT, no km 17 da Rodovia Ayrton Senna, em Ermelino Matarazzo.

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