Corinthians quer investir R$ 100 milhões no Pacaembu

Time já encomendou a um escritório de arquitetura projeto de reforma do local

Martín Fernandez, Jornal da Tarde

26 Março 2009 | 10h42

O Corinthians aceita fazer do Pacaembu a sua casa. Qualquer outra solução é plano B. O diretor de marketing do clube, Luís Paulo Rosenberg, não mede as palavras para se referir ao Estádio Paulo Machado de Carvalho. Com carta branca do presidente Andres Sanches, Rosenberg trabalha para tornar realidade o sonho do secretário municipal de esportes, Walter Feldman. "Se o Corinthians não entrar lá, o estádio vai ter problemas", entende o dirigente, sintonizado com o político.

 

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O Corinthians encomendou a um escritório de arquitetura projeto de reforma do local. Para deixar o Pacaembu do jeito que quer, Rosenberg estima que serão necessários R$ 100 milhões. "Vamos buscar esse dinheiro com parceiros."

 

O novo Pacaembu teria capacidade para 45 mil torcedores e ficaria pronto para ser usado em 2011 apenas. A previsão é de um ano e meio de reformas. "Nesse período, ou em parte dele, a gente se espreme na Fazendinha para fazer nossos jogos."

 

Não há pressa. O projeto corintiano deve ser apresentado à Prefeitura em maio. O clube quer esperar o debate público proposto por Feldman e só depois regulamentar a obra. Isso se ganhar sinal verde. É preciso saber antes o que a população e entidades pensam sobre a concessão.

 

Uma vez assinado o contrato, o Corinthians não poderia usar o Pacaembu em 2010, ano em que pretende comemorar o centenário disputando a Libertadores.

 

"Não faz mal, eu já tenho alternativa: um estádio grande, próximo de São Paulo e que a Fiel adora", diz Rosenberg. "Trata-se do Maracanã." A diretoria trabalha para mandar jogos no Rio de Janeiro.

 

Para a concessão, a secretaria faz exigências: construção de estacionamento, colocação de mais cadeiras, melhoria da cobertura acústica e manutenção do patrimônio histórico e tombado. Além disso, o novo administrador do Paulo Machado de Carvalho não poderá mexer no Museu do Futebol e no clube-escola mantido no local, que fica atrás do tobogã.

 

Rosenberg garante que todas essas condições serão respeitadas. "Queremos ser um fator de valorização da região, nunca de deterioração", diz. "Vamos respeitar a história do estádio e transformá-lo num centro de atrações da região."

 

Apenas o estádio de futebol custou R$ 2,53 milhões aos cofres da Prefeitura no ano passado. As receitas foram de R$ 1,14 milhão. Prejuízo de 1,38 milhão.

 

O diretor de marketing do Corinthians diz que, nas mãos do clube, o estádio dará lucro. "O Pacaembu poderia ter o nome de uma empresa, o Corinthians poderá fazer restaurantes, bares e camarotes, manter um setor com preços populares."

 

A principal resistência organizada à concessão ao Corinthians é a ONG Viva Pacaembu, formada por moradores do bairro. O temor dos vizinhos é que o clube aumente a frequência de uso da arena. Quanto mais jogos e shows, temem os moradores, mais confusão na área.

 

Rosenberg promete cumprir a lei. "Não somos promoters, somos uma religião. Não temos a menor intenção de fazer um show sequer no Pacaembu", diz. "Para isso, estamos reformando o Parque São Jorge, a fim de oferecer espaço para espetáculos musicais na Zona Leste."

 

O Viva Pacaembu conseguiu impedir na Justiça a realização de shows no estádio. Feldman já havia avisado que a Prefeitura não poderia permitir shows no local. E assim será. O Corinthians concorda.

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