Convocações em CPI criada por judoca não tinham justificativas, diz ex-vereador

Único a votar contra relatório da CPI do IPTU, Cláudio Fonseca (PPS) questionou transparência da comissão para investigar shoppings na cidade

Diego Zanchetta, O Estado de S. Paulo

20 de fevereiro de 2013 | 13h26

SÃO PAULO - Único parlamentar que votou contra o relatório da CPI do IPTU em dezembro de 2009, o ex-vereador e presidente do Sindicato dos Professores Municipais, Cláudio Fonseca (PPS), afirmou nessa terça-feira que o ex-judoca Aurélio Miguel (PR) convocava representantes de shoppings, de universidades e donos de concessionárias de carro sem apresentar qualquer justificativa aos integrantes da comissão. Em nove meses, foram 648 convocações, de gerente de sex shop a dono de construtora - média de 2,3 pessoas chamadas a depor por dia, somado os finais de semana e feriados, quando não existe expediente no Legislativo. 

"Ele (Miguel) fazia diligências em hotéis de repente, sem nunca avisar o restante da comissão", contou Fonseca ao Estado. O ex-vereador afirmou que havia uma "profusão" de requerimentos elaborados por Miguel e pelos outros dois parlamentares que estavam à frente da CPI: o então relator Antonio Donato (PT), hoje homem-forte da gestão Fernando Haddad e atual secretário de Governo, e o vereador Adilson Amadeu (PTB).

"Eram os três que decidiam tudo na CPI. Eu sempre perguntava o motivo de tantas convocações (foram mais de 700 em nove meses da comissão). Eles só me diziam que era com base em denúncias que chegavam nos gabinetes. Só que eu nunca vi nenhum papel com essas denúncias ou qualquer outra justificativa documentada", afirma. 

"Vieram depor o pessoal dos flats, das universidades, dos shoppings. E no final havia um relatório com pouco conteúdo se fosse levado em consideração o alto número de convocações", acrescentou Fonseca. 

Com base no depoimento de pelo menos cinco testemunhas, o Ministério Público Estadual acusa Miguel, campeão olímpico de judô em 1988, de usar a CPI do IPTU para achacar representantes de shoppings centers e de incorporadoras do mercado imobiliário. As testemunhas dizem que Miguel pediu R$ 200 mil de cada shopping para omitir seus nomes no relatório final da CPI. Ele negou ontem as denúncias e disse ser "vítima de perseguição por causa de sua luta pela transparência na gestão pública." Os outros integrantes da CPI dizem que as convocações tinham como respaldo denúncias recebidas pela comissão.

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