Conversa de surdos

Claro que ele vai dizer que jamais pensou em vender a Petrobrás. Ela, pra variar, negará a encomenda de dossiês aloprados à Receita Federal. Um dirá que a turma do outro - e vice-versa - não vale um tostão furado. Até aí tudo bem, a despeito da falta de talento para o improviso, o eleitor se daria por satisfeito neste último debate na TV se os candidatos restabelecessem minimamente a correspondência de assunto entre pergunta e resposta.

Tutty Vasques, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2010 | 00h00

Se já entram no estúdio sabendo exatamente o que vão dizer, que ao menos se preocupem em encaixar o tema de cada resposta com a questão levantada na fala anterior ao sinal do mediador concedendo-lhes a palavra. Hoje em dia, como se sabe, não raro a pergunta é sobre aborto, a resposta acusa uma roubalheira qualquer, a réplica defende as UPPs e a tréplica ataca o José Dirceu - não necessariamente nessa ordem.

Mas, a julgar pela firmeza com que William Bonner anuncia para logo depois de Passione um embate de "ideias e propostas para o Brasil", o jornalista vai dar um jeito de garantir a toda pergunta o sagrado direito a resposta específica e pretensamente esclarecedora. Alguém precisa botar ordem nesse galinheiro!

Epitáfio

Com a morte de Néstor Kirchner, o continente sul-americano perde um modo absolutamente peculiar de ver o mundo. Com um olho praticamente em cada hemisfério, o ex-presidente atraía à primeira vista a atenção de todos!

Barriga do bem

Fãs de Mariah Carey comemoram, aliviados, a notícia da gravidez da cantora. A imprensa já começava a suspeitar que ela estivesse tão-somente gorda. Não há lugar para popstar acima do peso no mundo das celebridades.

Segredo de Justiça

Laudo médico sobre o analfabetismo do Tiririca não esclarece se o problema tem cura.

Prêmio consolação

A indústria da pirataria já estuda a possibilidade de premiar com "disco de ouro" o artista que vender acima de 100 mil CDs no mercado paralelo. Pra ver se essa gente para de reclamar que não ganha nada com o sucesso. Ô, raça!

Culpa do feriadão

Há bons motivos para se temer a influência do feriadão no resultado das eleições. Tem gente que só vai viajar pra não votar, sem precisar depois se justificar aos amigos. A praia é motivo que todo mundo entende logo de cara!

Time de indecisos

É impressionante como, sempre que tem a chance de assumir a liderança, o Corinthians refuga. Na hora de decidir, o Timão parece indeciso. Capaz de mudar após as eleições, né?

Deus nos livre

José Serra e Dilma Rousseff estão, igualmente, preocupados. Também, pudera! O papa, em pessoa, resolveu entrar no debate sobre aborto no Brasil.

Se conhecer os candidatos, Bento XVI pode acabar pregando o voto nulo!

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