Convencido pela mãe, traficante se entrega

Mister M seria auxiliar de líder do CV no Alemão e estava foragido desde 2008

Rodrigo Burgarelli, José Maria Tomazela ENVIADOS ESPECIAIS / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2010 | 00h00

Convencido pela mãe evangélica, o traficante Diego Raimundo da Silva Santos, o Mister M, se entregou ontem à polícia. Ele é apontado como braço direito do chefe do tráfico no Complexo do Alemão, Luciano Martiniano da Silva, o Pezão.

Para se entregar, Santos chegou a furar o bloqueio do Exército e só se encontrou com os policiais a alguns quilômetros do complexo, num ponto pré-combinado. Tanto a fuga quanto a rendição foram articuladas pela comerciante Nilza Maria, de 57 anos, mãe de dez filhos - entre eles um pastor, um jogador de futebol e o traficante. "Não aceitava o fato de ele fazer essas coisas", disse ela. Nilza afirma que sempre tentou convencê-lo a se "converter", mas que só conseguiu quando viu os blindados o Alemão. "Nunca vi botar tanque de guerra na rua."

Para Santos se entregar, não bastou apenas descer o morro. Nilza preferiu levá-lo aos policiais que conheceu quando alguns de seus filhos participaram de um programa para jovens. Para isso, ela entrou em uma Kombi com quatro dos filhos, subiu o Morro da Grota, apanhou Santos, desceu da favela, furou o bloqueio do Exército e partiu para o asfalto. "Foi uma bênção de Deus tudo ter dado certo".

Santos era procurado desde 2008 - tinha contra si dois mandados de prisão, um por associação ao tráfico e outro por roubo de veículos.

Tumulto. A chegada de um ônibus da PM com 15 presos durante a operação no Alemão causou tumulto na 21.ª Delegacia de Polícia (Bonsucesso). Familiares protestavam contra as prisões e a falta de informações. Alegavam que os detidos não eram bandidos. Por falta de espaço na carceragem, os presos tiveram de seguir para a 22.ª DP, onde seriam interrogados.

Eles negaram que tivessem se entregado às forças policiais. "Entregar para quê, aqui não tem nenhum bandido", gritou um deles. A PM confirmou que não houve rendições - o comando da corporação chegou a divulgar um ponto para os traficantes se apresentassem espontaneamente, o que não ocorreu.

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