Hélvio Romero/AE-22/2/2010
Hélvio Romero/AE-22/2/2010

Controlar: vereadores impedem convocação de Eduardo Jorge

Anteontem, base de apoio a Kassab já havia conseguido abafar pedido de abertura de CPI feito pela bancada do PT

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2011 | 03h04

A base governista do prefeito Gilberto Kassab (PSD) mais uma vez atropelou a oposição e impediu a convocação do secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, que teria de dar explicações à Câmara sobre a fraude que o Ministério Público apontou no contrato da Prefeitura com a Controlar, empresa responsável pela inspeção veicular.

Em audiência ontem na Comissão de Finanças, cinco vereadores votaram contra a convocação e três foram favoráveis. Foi mais uma demonstração de força da base kassabista, que já havia conseguido abafar pedido de CPI feito pela bancada do PT na terça-feira. Kassab tem hoje apoio de 41 dos 55 vereadores. O seu recém-criado partido, o PSD, já tem a maior bancada, com 13 parlamentares.

"Houve entendimento de que o secretário já se pronunciou sobre o caso ao MP, portanto, não existe necessidade de vir aqui neste momento", argumentou o vereador Milton Leite (DEM). Além de Leite, votaram contra a convocação do secretário os vereadores Roberto Trípoli (PV), Aníbal de Freitas (PSDB), Atílio Francisco (PRB) e Ricardo Teixeira (PSDB). A favor da convocação, votaram os petistas Antonio Donato e Francisco Chagas e Celso Jatene (PTB).

Com a nova vitória da base governista, a possibilidade de o caso Controlar ser investigado pelos vereadores ainda neste ano foi definitivamente enterrada. Na sexta-feira, promotores que contestam o convênio da Prefeitura com a empresa conseguiram na Justiça bloqueio dos bens do prefeito, do secretário do Verde, de 13 empresários e de seis empresas. Todos negam as acusações. O MPE ainda pede que réus devolvam R$ 1,1 bilhão aos cofres públicos, além do encerramento do contrato com a Controlar e devolução da taxa e de multas a donos de veículos.

Histórico. O MP acusa Kassab de ter resgatado em 2007 uma licitação feita na gestão Maluf (1993-1996) para favorecer as empresas que comprariam a Controlar dois meses depois. Kassab desengavetou o contrato e decidiu usá-lo, mesmo após uma série de alertas sobre irregularidades feitos pelos próprios técnicos da Prefeitura e pelo Tribunal de Contas do Município.

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