VALERIA GONCALVEZ/ESTADAO
VALERIA GONCALVEZ/ESTADAO

Contratos de zeladoria em parques de SP são suspensos

Prefeitura alegou ajuste orçamentário e diz que situação foi resolvida; Secretaria do Verde tem pedido mais recursos

Bruno Ribeiro e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2018 | 21h33
Atualizado 01 Agosto 2018 | 13h19

Os parques de São Paulo amanheceram nesta terça-feira, 31, com funcionários em dúvida se continuariam fazendo serviços de vigilância, limpeza e zeladoria. A Prefeitura publicou no Diário Oficial da Cidade despachos suspendendo a execução de 24 contratos para a prestação desses serviços, que somam R$ 94 milhões. Em nota, porém, a administração disse que a suspensão era “temporária” e as ações continuarão a ser prestadas. A suspensão foi revogada nesta quarta-feira, 1.

Desde segunda, o sindicato que reúne as empresas prestadoras desses serviços vinham questionando a suspensão. Alega ter sido pego “de surpresa”.

“Decidimos esperar para entender o que estava acontecendo, mas já começamos a analisar se era o caso de recorrer à Justiça”, disse o presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Segurança Eletrônica e Cursos de Formação do Estado de São Paulo (Sesvesp), João Eliezer Palhuca. No fim da tarde, ele informou ter recebido a informação de que o problema estaria resolvido.  Não há orientação da entidade, segundo ele, para interromper serviços. 

A Prefeitura enviou nota com poucas informações sobre os motivos da suspensão. O texto dizia que a suspensão “ocorre por uma obrigação burocrática, necessária apenas para que houvesse um ajuste orçamentário”. “A decisão foi tomada como uma medida administrativo-financeira”, continuava o texto.

O Estado apurou que uma disputa por verbas é o pano de fundo do problema. A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente vinha requerendo mais verbas para o serviço, mas recebia negativas da Secretaria da Fazenda. A decisão foi suspender os contratos para não comprometer o orçamento. Mas nesta terça mesmo a Secretaria da Fazenda fez remanejamentos de verbas no orçamento para o Verde, de R$ 2,4 milhões, e deve liberar mais. 

Surpresa. Os parques da região central perderam os serviço de limpeza e zeladoria, mas continuaram com segurança, que foi suspensa em parte das unidades das zonas sul e leste. No Parque do Ibirapuera, zona sul, além dos contratos de manutenção, o problema também envolve a manutenção do planetário. O mesmo ocorre com o planetário do Parque do Carmo, na zona leste. 

A notícia surpreendeu tanto quem frequenta quanto quem trabalha no Ibirapuera, que não teve serviços suspensos nesta terça. Um funcionário da empresa de vigilância que atende o parque contou ter sabido da suspensão pela imprensa. “Se soubesse, não teria nem vindo”, disse, sem se identificar.

“Se não tiver pelo menos a vigilância, imagina a bagunça”, reclama a ambulante Carol dos Santos, de 34 anos, que trabalha há 11 no parque. “Se diminuir, a malandragem vai fazer bagunça, aí as famílias não vão vir mais, o que afeta também a gente (que trabalha no local).”

O médico veterinário Roberto Mello, de 44 anos, comenta que pouco repara na presença de seguranças no local. “Dependendo de onde vai, nem vê”, diz.

Coordenador de segurança da informação Jean D’Elboux, de 33 anos, diz que, caso a vigilância seja reduzida, vai ficar mais atento. “Se perceber que isso começou a trazer risco para o meu trabalho, vou procurar um café, uma padaria”, comenta ele, que costumava trabalhar em home office no Ibirapuera ao menos uma vez com semana. Não teria coragem de deixar as minhas coisas para ir ao banheiro. Eu já meio que me ‘arrisco’, pois sinto que posso usar o computador sem ser assaltado.”

PARA LEMBRAR

Concessão foi adiada

A Prefeitura de São Paulo anunciou no dia 13 que terá de fazer mudanças na concessão do Parque do Ibirapuera. A decisão foi tomada após o governador Márcio França (PSB) pedir a retirada do edital de uma área de propriedade do Estado, o Autorama, alegando que a ideia não havia sido bem discutida. A abertura dos envelopes com as propostas para a concessão estava prevista para o dia 12, mas já havia sido suspensa na semana anterior pela gestão Bruno Covas (PSDB). O novo edital ainda não tem data para sair. Esse é um dos principais itens do pacote de desestatização do Município. Não é prevista cobrança de entrada nos parques após esse processo. 

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