Contrato pode ser o vilão do seguro de auto

Maioria dos consumidores não lê os termos com atenção, diz especialista da Proteste

Jerusa Rodrigues, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2014 | 02h02

Comprar um carro novo ou usado e não contratar um seguro antes de circular, principalmente pelas ruas das grandes cidades, é sabidamente arriscado. Mas a falta de atenção na hora de assinar o contrato pode ser tão arriscada quanto não ter o seguro. Números do Procon apontam que as reclamações contra seguradoras por causa de desacordos relacionados ao contrato têm aumentado em São Paulo: em 2012 e 2013 foram 519 e 551 casos, respectivamente.

Segundo a técnica da Proteste Associação de Consumidores Gisele Rodrigues, os maiores problemas são as dificuldades no preenchimento dos dados para as seguradoras e a má compreensão dos termos do contrato.

"A maioria dos clientes não lê as condições contratuais, por falta de atenção ou dificuldade de entender os termos técnicos, e fica sem saber quais procedimentos não são cobertos."

No caso de descumprimento do contrato pelas seguradoras, diz, o consumidor deve fazer uma reclamação à Superintendência de Seguros Privados. Esse é o caso da leitora Camila Florencio, que sofreu um sinistro em dezembro e o veículo continua na oficina.

"Primeiro, houve demora para a vistoria, depois, para autorizar o conserto e, por fim, os prazos não são cumpridos pela seguradora." A Zurich Seguros diz que o reparo do veículo não foi finalizado por causa do atraso da oficina.

De acordo com a supervisora institucional da Proteste, Sônia Amaro, a demora excessiva para o reparo pode ser objeto de questionamento na Justiça.

O Código de Defesa do Consumidor estabelece o direito de o consumidor pleitear a reparação de todos os prejuízos sofridos. "Mesmo após a entrega do veículo devidamente reparado, a consumidora pode requerer na Justiça que a empresa arque com todos os prejuízos decorrentes de ter ficado sem o carro nesses meses", diz Sônia.

Veículo depredado. O carro da leitora Vanda M. Barbosa quebrou em janeiro na estrada. "Ele foi levado pelo guincho da Bradesco Seguros e deixado na rua, em frente à oficina, onde o encontrei todo depredado", relata a proprietária.

Vanda diz que, ao reclamar para a seguradora, a resposta foi de que era ela mesma a responsável pelos danos.

A Bradesco Auto Companhia de Seguros diz que o assunto foi esclarecido com a segurada.

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