Contrato do 156 não terá mais prorrogação, diz Haddad

Contrato do 156 não terá mais prorrogação, diz Haddad

Após reportagem do 'Estado' sobre superfaturamento no serviço, como apontado pela Câmara, prefeito disse que vai apurar denúncia

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

25 Setembro 2014 | 03h00

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta quarta-feira, 24, que não será mais prorrogado o contrato com a empresa responsável por operar o serviço 156, o telemarketing da Prefeitura de São Paulo. Conforme o Estado revelou na edição desta quarta, relatório da Câmara Municipal aponta “indícios de superfaturamento” no serviço.

De acordo com a Prefeitura, a recomendação de não prorrogar o contrato foi feita pela Controladoria-Geral do Município (CGM) e um edital para a contratação de uma nova empresa de telemarketing vai ser publicado nos próximos dias.


Reportagem do Estado mostrou que técnicos da Câmara contestam a forma como a empresa Call Tecnologia, que opera o serviço 156, é remunerada. Com base em cotações de mercado, o documento afirma que há sobrepreço de cerca de 26% nos custos. De janeiro a maio, o prejuízo teria sido de R$ 2,4 milhões. “Eu não recebi o relatório, mas a Controladoria já instalou uma averiguação sobre esse contrato. Assim que a gente receber o relatório, vamos incluir nos procedimentos da Prefeitura”, afirmou Haddad.

A Call Tecnologia é paga por tempo em que mantém operadores disponíveis, uma forma “inadequada e não usual no mercado paulista”, segundo os técnicos. “A avaliação preliminar de mercado permite afirmar com segurança que o valor cobrado por hora poderia passar de R$ 36,11 para aproximadamente R$ 22”, diz o relatório da Câmara Municipal. 

Investigação. Por sua vez, a Prefeitura afirma que o modelo possibilita que 94% das ligações para o serviço 156 sejam atendidas e vai apurar qualquer irregularidade identificada pela Câmara Municipal. A Secretaria de Comunicação, que responde pelo serviço, criou uma comissão para investigar o caso.

As suspeitas apontadas da Assessoria Técnica da Câmara recaem sobre as ligações da Rede Hora Certa. Uma das promessas de campanha de Haddad foi colocar à disposição um serviço de aviso por telefone para lembrar datas de consultas e exames, com objetivo de reduzir a fila de espera.

O serviço é investigado pela Comissão de Estudos, presidida pelo vereador Adilson Amadeu (PTB), da oposição. A apuração teria começado após denúncias de má qualidade. 

A empresa foi contratada ainda na gestão Gilberto Kassab (PSD), mas teve o contrato renovado pela gestão Haddad até junho de 2015. 

A Call Tecnologia pertence a José Celso Gontijo, empresário flagrado em uma gravação entregando dinheiro para Durval Barbosa, um dos operadores do chamado mensalão do DEM.

Mais falhas. Um relatório da CGM também apontou falhas no contrato do serviço 156. Segundo o órgão, há indícios de que a Secretaria de Comunicação pagou por serviços sem a comprovação de que eles foram executados e o contrato firmado com a Call Tecnologia também teve um dispositivo para parecer artificialmente mais barato. O prejuízo aos cofres públicos estimado pela Controladoria foi de R$ 28 milhões.

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