Contrários ao Mais Médicos se filiam ao PSDB no CE

Partido inscreveu 300 profissionais, entre eles alguns que participaram de protesto contra a chegada de cubanos ao Estado

LAURIBERTO BRAGA, ESPECIAL PARA O ESTADO, FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2013 | 02h02

Os médicos cearenses contra o programa federal Mais Médicos partiram para a oposição nas eleições de 2014. No Ceará, o PSDB deve filiar até hoje, último dia dado pela Justiça Eleitoral para adesão partidária, 300 médicos. Alguns deles chegaram a apoiar ou até a participar de protestos contra a chegada de médicos estrangeiros ao Estado.

"O Mais Médicos é apenas um programa que ilude o povo brasileiro", afirmou o psiquiatra João Batista Lima, de 50 anos, um dos primeiros a assinar a ficha tucana, que vai pleitear uma das 24 vagas para deputado federal.

A pediatra Maíra Pinheiro, de 45 anos, que será candidata a uma das 48 vagas na Assembleia Legislativa, disse que escolheu o PSDB por ser partido de oposição ao governo do PT. "Queremos uma representação política capaz de alcançar nossos anseios e para fazer frente às agressões que estamos sofrendo."

O PSDB tentou a filiação do presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), José Maria Pontes, que liderou no fim de agosto o protesto contra os médicos estrangeiros. Na saída da Escola de Saúde Pública do Ceará, os cubanos foram chamados de "escravos e incompetentes" e deveriam "voltar para senzala". Eles foram submetidos a um constrangedor corredor humano. Pontes, ex-vereador de Fortaleza pelo PT, preferiu ficar sem partido e não se candidatar.

As fichas dos médicos foram abonadas pelo vice-presidente nacional do PSDB e ex-senador, Tasso Jereissati, que deu o tom de como será a campanha do senador Aécio Neves à Presidência em 2014. Os tucanos vão atacar de frente o Mais Médicos, considerado pelo PSDB como principal cabo eleitoral para tentativa de reeleição da presidente Dilma Rousseff e da candidatura do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao governo de São Paulo.

Tasso disse que o governo Dilma está "satanizando os médicos brasileiros com o Mais Médicos". Para ele, a questão da saúde é grave no Brasil. "Mas você simplesmente usar o slogan 'Mais Médicos', satanizando, às vezes, os médicos brasileiros. É um equívoco."

Pelo País. A demanda no Ceará é de mil profissionais, porém apenas 100 foram efetivados, em 18 cidades. Doze municípios receberam os 32 médicos estrangeiros, sendo 28 cubanos, dois espanhóis, um argentino, um português, um moçambicano e um brasileiro formado em Cuba. O secretário nacional de gestão estratégica e participativa do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, que coordena o programa, diz que o projeto é a única forma de distribuir médicos pelo País e não tem nada de eleitoreiro.

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