Contra trânsito, criatividade

TRÂNSITO - 955 IDEIAS: Paulistanos sugerem à Prefeitura dar incentivos a empresas que mudarem horário para ajudar funcionário a fugir de congestionamento

O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2013 | 00h01

SÃO PAULO - Congestionamento é um dos problemas mais clássicos de São Paulo. Tão clássico que tem até data de início: 11 de setembro de 1911. Nesse dia, durante a inauguração do Teatro Municipal, cerca de 300 carros se enfileiraram na região do Anhangabaú sem conseguir se mover por causa do excesso de veículos e da falta de espaço. De lá para cá, o problema só piorou: os 300 viraram 5,3 milhões, que todos os dias entopem ruas, avenidas e estradas que cortam a cidade.

O problema é tão grande que, ao longo das últimas décadas, resolvê-lo passou a ser uma das prioridades dos prefeitos que comandaram a cidade. Casas foram demolidas, bairros acabaram cortados ao meio e muito verde desapareceu em meio a esse esforço. Deram lugar a avenidas, vias expressas, viadutos, túneis. Mais de cem anos depois do primeiro engarrafamento, todo esse empenho parece ter sido em vão, já que essa questão foi a mais citada por quem participou do projeto Que SP Vc Quer?.

 

 

A IDEIA: "Incentivar as empresas a flexibilizar seus horários de funcionamento (começando e terminando uma hora mais cedo ou mais tarde, por exemplo) para diminuir o trânsito."

O GANHADOR: LUIZ CLAUDIO RIBEIRINHO.CONSULTOR.36 ANOS.FREGUESIA DO Ó

 

Para atacar o problema, a ideia mais bem avaliada traz uma solução mais simples e que requer bem menos investimento. "A Prefeitura deveria oferecer benefícios fiscais ou tributários a empresas que adotassem horários alternativos para entrada e saída de seus funcionários, o que contribuiria para desafogar o trânsito e o transporte público", afirma o consultor de tecnologia da informação Luiz Claudio Ribeirinho, autor da proposta. O objetivo é que veículos que trafegam na "hora do rush" de manhã e à tarde passem a circular em outros horários, para aliviar os períodos de pico.

Já há companhias que adotam políticas internas de horário flexível sem qualquer incentivo municipal. É o caso da Serasa Experian, empresa de consultoria que tem sede no Planalto Paulista, na zona sul, e escritórios na região da Avenida Paulista. "Nosso programa de horário flexível está em vigor há mais de 5 anos. Começamos com apenas uma hora de tolerância, mas hoje o funcionário já pode chegar e sair dentro de um intervalo de três horas", afirma Élcio Trajano, superintendente de desenvolvimento humano da empresa.

O objetivo, segundo ele, é reduzir o estresse dos trabalhadores e contribuir com o alívio do trânsito na capital. "Também adotamos o home office, ou seja, incentivos para pessoas de determinadas áreas trabalharem em casa, se isso for possível. Queremos ainda começar a adotar o ‘short friday’ - liberar os funcionários ainda mais cedo na sexta-feira, por volta das 13h. É o pior dia de trânsito em São Paulo."

Segundo a assessoria de Fernando Haddad (PT), o plano do prefeito para reduzir o trânsito é levar mais empresas à periferia.

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