Contra tráfico, 600 paraquedistas tomam o Alemão

Foi uma demonstração de força, já que problemas com drogas vêm aumentando no complexo; Força de Pacificação tem 2,5 mil homens

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2011 | 03h05

Pouco mais de duas semanas depois de o primeiro soldado ter sido ferido por um tiro no Complexo do Alemão, zona norte do Rio, o Exército ocupou por tempo indeterminado as áreas críticas do conjunto de favelas com 600 homens do 26.º Batalhão de Infantaria Paraquedista, a mais especializada unidade de pronto emprego do Exército.

A Força de Pacificação já tem 2,5 mil militares ocupando os conjuntos de favelas do Alemão e da Penha. Segundo militares, foi uma demonstração de força, já que o tráfico vem se tornando mais explícito na região.

Um homem que fumava maconha foi preso logo nas primeiras horas de ocupação. Ontem, a tropa acampou na Serra da Misericórdia e traficantes informavam aos comparsas, por rádio, toda a movimentação dos paraquedistas. Os diálogos eram monitorados pelo Exército. "Buscamos dominar as áreas mais altas dos ambientes operacionais. Nos casos dos complexos da Penha e do Alemão, essa região é a Serra da Misericórdia", explicou o comandante da Força de Pacificação, o general de Brigada Otávio Santana do Rêgo Barros.

Problemas. A tropa sofre desgaste. Os moradores reclamam de atrasos nas obras de saneamento do governo federal, da péssima coleta de lixo da prefeitura e da falta de fiscalização do Estado sobre a ausência das concessionárias após a ocupação. O Exército é a única referência de poder público no complexo.

Antes de a ocupação completar um ano, os tiroteios voltaram ao Alemão. No dia 6 setembro, uma patrulha do Exército foi atacada, mas ninguém ficou ferido. Dez dias depois, um tiroteio na Vila Cruzeiro terminou com uma menina de 7 anos ferida por estilhaços. No dia 24 de novembro, o soldado Leandro Eduardo dos Santos, da 4.ª Companhia de Polícia de Exército de Belo Horizonte, foi atingido no braço direito por um disparo.

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