DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Contra protestos, PM compra ‘supercaveirão’ israelense

Blindados poderão ser usados em manifestações de rua em SP, levam até 24 homens e resistem a explosivos e tiros de fuzil

Marcelo Godoy e Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Neste exato momento, a primeira remessa de blindados israelenses, uma das principais apostas da Polícia Militar de São Paulo para conter manifestações violentas e atuar em áreas de conflito, cruza o oceano em direção ao Brasil, onde deve chegar nos próximos dias. 

Embarcados no carnaval, os seis veículos pesam mais de 16 toneladas cada. Podem transpor obstáculos de até meio metro e resistem a tiros de fuzil e explosivos. Outros oito veículos, totalizando três modelos diferentes de blindados, também devem aportar no País no primeiro semestre.

Fabricados sob encomenda pela empresa israelense Plasan Security Solutions, os veículos dessa primeira leva podem transportar até 24 policiais completamente equipados. Para se ter uma ideia, é o dobro da capacidade dos “caveirões”, usados no policiamento de favelas do Rio. O modelo foi projetado pela Tropa de Choque de São Paulo e também prevê novas seteiras ao redor do blindado, para permitir que os PMs atirem de dentro para fora, torre com visão de 360 graus e sistemas não letais para dispersar tumultos. O piso contém proteção contra minas.


Os seis veículos para “controle de distúrbios civis de alta capacidade” serão distribuídos igualmente entre o 2.º e o 3.º Batalhão de Polícia de Choque (BPChq). Eles devem começar a ser usados no início do segundo semestre. Segundo a PM, os blindados terão caráter mais defensivo. Eles servirão para transportar e proteger o efetivo que precisar se deslocar para áreas de risco e de difícil acesso.

O nome do blindado ainda não foi definido, mas a PM estuda escolher uma denominação ligada à mitologia grega. Cada unidade do primeiro lote custou cerca de R$ 3,675 milhões e o contrato de compra foi assinado em abril de 2014.

Modelos. No segundo lote adquirido pela PM, virão quatro blindados menores, com capacidade para oito policiais. Conhecidos como Wolf (lobo, em inglês), os modelos são mais velozes - podem atingir até 140 km/h, enquanto o outro blindado chega a 100 km/h - e devem ser empregados em ações urgentes. Dois deles serão entregues ao Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e os outros dois ao Comandos e Operações Especiais (COE).

Já o terceiro lote prevê a entrega de quatro veículos com lançadores de jatos d’água, tinta e gás lacrimogêneo para conter black blocs e manifestantes violentos. Sua capacidade é de, no mínimo, 2,5 mil litros de água. São os mesmos veículos usados por Israel para conter palestinos na Faixa de Gaza e o seu uso chegou a ser cogitado durante a Copa do Mundo. Eles também vão para o 2.º e o 3.º Batalhão de Choque. 

Esses dois últimos modelos foram desenvolvidos pela Hatehof, também israelense. Pela frota completa, a PM vai pagar R$ 35,2 milhões às empresas. 

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