NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Contra privatizações de Doria, manifestantes ocupam plenário da Câmara de SP

Grupo ligado a partidos de esquerda cobra suspensão imediata dos projetos de concessão enviados pelo prefeito e a realização de um plebiscito para saber se a maioria da população de São Paulo apoia as privatizações

Fabio Leite e Gilberto Amendola, O Estado S. Paulo

09 Agosto 2017 | 14h09
Atualizado 10 Agosto 2017 | 20h19

SÃO PAULO - Um grupo de estudantes e manifestantes ligados a partidos de esquerda ocupou o plenário da Câmara Municipal de São Paulo no início da tarde desta quarta-feira, 9, em protesto contra os projetos de concessão e privatização de serviços e equipamentos públicos encaminhados pela gestão do prefeito João Doria (PSDB). A presidência da Casa informou que a Procuradoria do Legislativo vai à Justiça pedir a reintegração de posse do plenário. 

Com o apoio de vereadores do PT e PSOL, que fazem oposição a Doria, cerca de 50 manifestantes reivindicam a suspensão imediata dos projetos de lei que definem a concessão de parques, mercados, bilhete único e do estádio do Pacaembu à iniciativa privada. Ambos já foram aprovados em primeira votação pela Câmara e devem ser votados em definitivo até setembro, segundo estimativa de aliados do prefeito.



O grupo, que ocupou o plenário por volta das 13h desta quarta-feira, também pede a realização de 32 audiências públicas para discutir os projetos de concessão (uma para cada prefeitura regional), além da realização de um plebiscito, para consultar a população da capital se a maioria é a favor ou contra os projetos de desestatização. A proposta de plebiscito foi feita pela vereadora Patrícia Bezerra (PSDB), ex-secretária de Direitos Humanos da gestão Doria, e está parada na Câmara.  

Os manifestantes também reivindicam a revogação das alterações no passe-livre estudantil, que restringiu os horários de uso do bilhete que dá descontos nas passagens de ônibus aos estudantes da capital. O grupo já se reuniu com a Guarda Civil Metropolitana (GCM), responsável pela segurança dentro da Câmara, e solicita uma conversa com o presidente da Casa, o vereador Milton Leite (DEM), aliado de Doria. 

A assessoria da presidência da Câmara informou que o presidente Milton Leite "não vai negociar com os manifestantes até que haja desocupação do plenário". Por causa do protesto, a sessão desta quarta-feira teve de ser realiza no salão nobre do Legislativo.  

Por volta das 19h, os estudantes e membros de movimentos sociais e partidos políticos organizaram uma espécie de coletiva de imprensa. Uma carta contra "a venda de São Paulo" foi lida pelos manifestantes - que também reclamaram da postura do presidente da Casa que cortou a água dos banheiros e tem impedido a entrada de comida no plenário. Os estudantes também pediram para que uma vigília fosse organizada do lado de fora da Câmara Municipal.

Imediatamente, um grupo de aproximadamente 30 pessoas concentrou-se na entrada principal da Câmara; outras 20 estão na lateral do prédio. Nos corredores do 1º andar (onde fica o plenário) estão alguns estudantes que saíram para pegar água e comida e não puderam retornar.

"Vamos resistir. Não saímos daqui até que algo seja negociado", afirma Ana Luíza Tiberio, de 19 anos, estudante de Direito e militante petista. "Cortar água e comida é muito sério e anti-democrático", completa David Parafuai Molinari, de 19, estudante de Comunicação Social e também da juventude petista. "A gente vai continuar aqui pra evitar que a GCM atue com violência", disse Mina Rodrigues Vieira, de 21 anos, estudante de Direito e membro da União da Juventude Socialista (USJ). 

Vereadores como Eduardo Suplicy (PT) e Juliana Cardoso (PT), além do Padre Júlio Lancelotti, entraram na Casa e estão no plenário intermediando a negociação com os manifestantes. A conversa com os vereadores teve seu primeiro resultado. Segundo os estudantes, a água vai voltar às torneiras do banheiro. Às 21 horas, foi liberada a entrada de comida na Câmara até a meia-noite, e os estudantes receberam 200 pães com manteiga.   

A ideia do grupo que ocupa o plenário é dormir no local na noite desta quarta-feira. A Presidência da Câmara garantiu, por meio da assessoria de imprensa, que não haverá reintegração de posse na madrugada desta quinta. Cinco viaturas da Polícia Militar estão de prontidão do lado de fora, mas o clima é calmo. 

 

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