Contra multa, ônibus param corredor

Motoristas de 350 veículos protestam contra radar na Avenida Francisco Matarazzo e pedem a anulação de cerca de 800 infrações

Camila Brunelli, O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2012 | 23h17

SÃO PAULO - Cerca de 350 ônibus ficaram parados nesta segunda-feira, 7, no Corredor Pirituba-Lapa-Centro, cuja principal via é a Avenida Francisco Matarazzo, na zona oeste de São Paulo, em protesto de 700 motoristas e cobradores contra multas que teriam sido aplicadas indevidamente. Segundo eles, que ficaram parados das 9h às 14h, um radar na frente do Parque da Água Branca estaria desregulado e marcando velocidade maior do que a máxima permitida na faixa exclusiva da via (50 km/h). E muitos passageiros tiveram de seguir a pé.

O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo informou que, de novembro a abril deste ano, já foram aplicadas cerca de 800 multas a condutores de ônibus no local. O objetivo do protesto era o cancelamento dessas penalidades. A fila de ônibus se estendeu do Bourbon Shopping até a Avenida Angélica, perto do Terminal Amaral Gurgel, na região central.

O diretor executivo do sindicato, Raimundo Ivan de Oliveira, disse que há muito tempo tentava negociar com a Secretaria dos Transportes Metropolitanos (SMT) o reparo do radar. Na madrugada do dia 6 de abril, porém, alguns motoristas viram técnicos da empresa responsável pela aferição do aparelho trabalhando no local. "Por incrível que pareça, depois disso não houve mais multas. As que estão chegando ainda foram aplicadas até o início de abril", disse Oliveira. "Queremos que essas multas e os pontos na carteira sejam anulados." Segundo o sindicalista, mais de 300 motoristas de ônibus perderam a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nesse período e estão impedidos de trabalhar.

Em reunião entre representantes do sindicato e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) ficou acertada aferição no radar e nova reunião na próxima segunda-feira. Em nota, a Secretaria Municipal de Transportes (SMT) informou, no entanto, "que os radares fixos instalados no corredor de ônibus da Avenida Francisco Matarazzo encontram-se em perfeito funcionamento". E o radar alvo de reclamações, no número 455, "foi aferido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), em medição cuja validade vai até 5 de outubro de 2012."

 

 

Extensão. Laurindo Pereira de Almeida, de 45 anos, dirige há 25 e há cinco anos trabalha como motorista. Ele diz ter levado cinco multas do radar. "Três no mesmo dia. Eu não estava acima da velocidade, até porque os carros são programados para não passar de 50km/h", disse.

Quem estava dentro dos coletivos teve de descer e continuar o percurso a pé ou pegar o metrô em alguma das estações da Linha 3-vermelha.

A babá Regiane Marki de Lima, de 22 anos, saiu do trabalho, na Rua Lincoln de Albuquerque, na hora do almoço, para ir ao médico, em Santa Cecília. "Deixei o bebê com o meu patrão para ir lá rapidinho, porque esse médico é muito concorrido e eu tenho de levar exames." De ônibus, gastaria 20 minutos para chegar, mas com o corredor tomado, o jeito foi ir caminhando. "Eu ando rápido, acho que vou gastar uns 30 minutos", disse, 40 minutos antes do horário.

Procurado, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SP-Urbanuss) não quis comentar o assunto.

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