Contra mudança na inspeção, novo secretário do Verde ameaça não assumir

Um dia antes da posse, PV faz reunião para decidir se Ricardo Teixeira, indicado após desistência de Ricardo Tripoli, deixa o governo

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2012 | 02h00

A um dia de tomar posse, o prefeito eleito Fernando Haddad (PT) pode perder seu segundo secretário indicado para a Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo. O PV, partido que vai comandar a pasta com o vereador Ricardo Teixeira, defende a manutenção do modelo atual da inspeção veicular anual. Hoje a sigla faz uma reunião de emergência, às 10 horas, para decidir se vai deixar o governo antes mesmo de seu início.

O PV argumenta que a inspeção veicular "salva vidas" e que seu modelo de testes anuais não pode ser alterado, como quer Haddad. Na sexta-feira o futuro secretário de Governo, Antonio Donato, anunciou que a vistoria terá de ocorrer a cada dois anos, a partir do ano que vem. O programa só será obrigatório para veículos com cinco anos ou mais de fabricação. A proposta com as mudanças vai chegar ao Legislativo no dia 1º de fevereiro.

"Eu comparo a inspeção veicular ao cinto de segurança. Ela salva vidas. Sou totalmente favorável. Vamos agora conversar com o partido. A inspeção deu certo no mundo inteiro, por que só no Brasil não vai dar?", disse ontem Teixeira, o futuro secretário que vai ter de assinar o projeto de lei de Haddad que acaba, a partir de 2013, com a obrigatoriedade anual da inspeção.

Teixeira, que até 2011 era filiado ao PSDB, foi o segundo nome do PV indicado por Haddad para a Secretaria do Verde, responsável pelo programa de inspeção veicular. Antes, o vereador Roberto Tripoli (PV) já havia declinado do cargo duas semanas após ser confirmado pelo prefeito eleito. Tripoli também apontou seu posicionamento pró-inspeção como um dos motivos da saída. Agora, o novo indicado não descarta que esse seja o seu mesmo destino.

"Não sou dono do partido, quem vai decidir isso é o PV. Mas, olha, eu acho que não (renunciar antes de assumir). Quero acreditar que não. Temos antes de conversar e saber como vai ser o futuro modelo, se anual, se a cada dois anos. Preciso ver os dados (do projeto que está sendo preparado) e refletir", disse Teixeira.

A reunião de hoje no PV será com três dos quatro vereadores do partido - Roberto Tripoli está viajando, mas adiantou ser contrário às mudanças propostas por Haddad. O vereador Gilberto Natalini (PV) disse que vai acionar advogados e "fazer o que for possível juridicamente" para barrar o projeto de Haddad.

"Isso que o Haddad quer fazer é um retrocesso e coloca a população em risco. É um rompimento de contrato com a Controlar totalmente ilegal", disse o vereador, que defende a ruptura imediata do partido com o governo. "Eu, de qualquer jeito, vou ser oposição", acrescentou.

A reportagem procurou ontem à noite o presidente do PV paulistano, Carlos Camacho, mas não houve retorno às ligações. Um dos receios do partido, caso seja obrigado a encampar a proposta de Haddad com as mudanças na inspeção veicular, é o desgaste com ambientalistas, favoráveis ao programa, segundo apurou a reportagem.

Donato disse ao Estado que não sabia da reunião do PV e que não poderia comentar a possibilidade de mais um secretário indicado pelo PV deixar o cargo antes de assumi-lo.

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