Contra fim de feira, protesto terá bananas gigantes

Frutas serão pintadas por manifestantes no domingo, ao lado da Praça Roosevelt

Caio do Valle, Jornal da Tarde

11 Julho 2012 | 17h55

Duas bananas gigantes serão vistas na feira livre ao lado da Praça Roosevelt, centro de São Paulo, no domingo. Mas não estarão à venda. Impossíveis de comer, elas já têm um destino certo: serem entregues ao prefeito Gilberto Kassab (PSD). Moradores da região prometem pintar as frutas em uma tela como forma de protesto contra a mudança de endereço das barracas. A Prefeitura estabeleceu que, em breve, o comércio de rua dominical terá que sair dali. O argumento: a feira poderá "atrapalhar" os visitantes da praça, prevista para reabrir em setembro, depois de uma reforma.

Cerca de cem pessoas são esperadas para a manifestação, que partirá às 10h da frente da Igreja da Consolação. A passeata rumará até a pequena Rua Gravataí, para onde, no início do ano, a feira foi transferida, vinda da Rua João Guimarães Rosa, paralela à Roosevelt. Ali, o grupo exibirá cartazes de protesto contra a mudança e promoverá um abraço coletivo ao redor das barracas de frutas e legumes. Quem explica é o ator Leandro Lago, de 29 anos, que mora e trabalha ao lado da praça. Ele é um dos organizadores do evento.

"Nós queremos a feira aqui, onde ela existe desde 1948", diz ele, explicando que o abaixo-assinado contra a medida, que já reúne cerca de 3,5 mil nomes, também será levado, para que mais pessoas possam assinar. O feirante João Claudio Quaresma, de 59 anos, afirma que a decisão do protesto foi tomada após uma reunião anteontem, no teatro Studio 184, situado ao lado da Roosevelt.

Ele, que vende frutas na feira há 27 anos, diz que o governo municipal ofereceu três propostas de endereço para a transferência do comércio: as ruas Doutor Cesário Mota Júnior, Epitácio Pessoa e Doutor Teodoro Baíma. Todas rejeitadas pelos feirantes, por ficarem bem mais distantes da praça.

Uma representação no Ministério Público Estadual poderá fazer parte do protesto dos moradores. "Vamos avaliar melhor essa possibilidade ao longo da semana", diz Lago. Segundo ele, amanhã o grupo participará de uma reunião com o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, para discutir o assunto.

O prefeito Kassab disse que a feira vai continuar, mas em um local mais longe da Roosevelt. "A feira bem ao lado ali é óbvio que atrapalha. Não corremos o risco de ter uma praça abandonada." No último domingo, o Jornal da Tarde visitou o comércio de rua e conversou com seus frequentadores. Nenhum apoiou a decisão da Prefeitura. Para eles, a feira faz parte da vida no bairro e facilita a compra de produtos para suas casas.

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