Contra cortes, garis podem parar na quarta-feira em São Paulo

Categoria reivindica readmissão de 1.500 varredores que cumprem aviso prévio e retomada do orçamento

Eduardo Reina, O Estado de S. Paulo,

15 de setembro de 2009 | 09h44

Os garis da capital preparam greve para quarta-feira. Eles reivindicam a readmissão de 1.500 colegas que cumprem aviso prévio e a retomada do orçamento original para o setor pela Prefeitura, que havia cortado cerca de 20% do valor, apesar de o prefeito Gilberto Kassab (DEM) já ter prometido que vai retomar o valor original e garantir R$ 903 milhões até dezembro para as empresas efetuarem os serviços de limpeza pública, ao transferir o dinheiro de grandes obras.

São varridos diariamente 6.900 quilômetros de vias públicas e retiradas 300 toneladas de lixo, segundo a Secretaria de Serviços, responsável pelos contratos de limpeza. São mais de 8 mil pessoas que trabalham na varrição e em serviços complementares, como limpeza de feiras; desses, 1.500 demitidos estão em aviso prévio, segundo o sindicato das empresas.

Ariovaldo Caodaglio, presidente do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana no Estado de São Paulo (Selur), disse que há conversas com os representantes dos garis e também do Ministério Público do Trabalho, mas não é possível dizer se haverá acordo. A administração municipal informou que o contrato de concessão obriga as empresas a prestar os serviços. Se houver greve, as concessionárias devem continuar fazendo a limpeza pública. A Prefeitura ameaça romper contrato em caso de paralisação. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana (Siemaco), com menos varredores nas ruas, mais lixo ficará acumulado, o que pode entupir as galerias de água pluvial e bueiros com as chuvas.

Entre 14 de julho e ontem, a Prefeitura de São Paulo aplicou 133 multas por problemas na varrição na cidade. Só a Qualix, responsável pelo serviço na zona sul, foi autuada 127 vezes este ano. A empresa afirmou que quem responde por ela é o Selur. A reportagem não conseguiu entrar em contato com o presidente da entidade.

Entre as principais falhas das empreiteiras estão o cumprimento parcial das ordens de serviço enviadas pelas subprefeituras e o não recolhimento dos detritos provenientes da varrição até o máximo de quatro horas após o trabalho.

COLETA SELETIVA

Hospitais, estabelecimentos, indústrias e condomínios comerciais ou de uso misto que produzem mais de 200 litros de resíduos sólidos por dia serão obrigados a realizar coleta seletiva do lixo.

Segundo decreto publicado ontem no Diário Oficial da Cidade, os estabelecimentos são responsáveis pela instalação das lixeiras específicas para cada material e pelo envio dos resíduos para postos de reciclagem. A lei passará a vigorar em três meses e prevê multa de R$ 10 mil se for desrespeitada.

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