Contra boatos, governo usa Twitter

Secretaria de Segurança negou pela rede social que já exista data para instalar UPPs no Alemão e na Vila Cruzeiro e rebate críticas

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2010 | 00h00

A Secretaria de Segurança do Rio ocupou ontem as redes sociais para tentar conter o medo e os boatos que se espalharam pelo Estado desde o início da crise. O comandante da Polícia Militar, coronel Mario Sergio Duarte, já vinha respondendo a dúvidas e críticas de internautas.

Na tarde de ontem, dos dez trending topics do Brasil (os assuntos mais comentados do Twitter), nove faziam referência aos confrontos no Rio, com as palavras-chave Penha, Rio e Beltrame, entre outras. Bope, Vila Cruzeiro e Penha também estavam entre os dez assuntos mais comentados no microblog em todo o mundo.

Foi quando o subsecretário de Segurança, Edval Novaes, fez um pronunciamento por câmera, no Twitter, depois de receber perguntas e mensagens de diversos internautas. Curiosamente, houve falha na transmissão, e o procedimento seria repetido para garantir audiência, o que não havia ocorrido até as 18h30.

O Twitter foi a principal plataforma escolhida pela Secretaria de Segurança. "Contem com esse canal para tirar dúvidas e obter dados oficiais", foi uma das mensagens. Diante da informação, divulgada pela TV Globo, de que a próxima Unidade de Polícia Pacificadora seria instalada no Complexo do Alemão, a secretaria reagiu imediatamente: "Não há previsão de instalação de UPP no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro, por causa da grande demanda de efetivo necessária para ocupar estas áreas."

Diante da crítica de um internauta de que "o governo devia acabar com a ganância de arrecadar em blitz do IPVA, para se concentrar na bandidagem", o comandante respondeu que a PM está "toda empenhada contra os criminosos".

A rede também foi usada para manifestações de anônimos e famosos - para criticar, por exemplo, a divulgação das imagens das operações pela televisão. O produtor Celso Athayde, coordenador da Central Única das Favelas, escreveu em seu perfil no Facebook que oferecia "trabalho a quem quiser se entregar. Quem quiser ficar para guerra, fica e luta, mas tem muita gente que tem pedido chance".

Polêmica. O cantor Marcelo D2 escreveu no Twitter: "Fumo maconha e não tenho nada a ver com essa guerra... trabalho honestamente e nunca peguei em arma." (confira outras repercussões nesta página). Sofreu muitas críticas e reagiu: "Pra quem acha que a culpa disso é dos usuários, essa guerra é porque estão tentando acabar com o tráfico. Desigualdade social é o problema."

REPERCUSSÃO

Ronaldo

Jogador

"Como é triste ver o Rio de Janeiro assim... Meus sentimentos às famílias que estão sofrendo com a violência. E toda minha torcida para ver a calma de volta ao Rio.

Glória Perez

Autora de novelas

"A TV tem de parar de mostrar os soldados do Bope entrando a pé na favela! Gente! Traficante está vendo a TV também! Mostra depois!!!

Marcelo D2

Cantor

"Fumo maconha e não tenho nada a ver com essa guerra ... Trabalho honestamente e nunca peguei em uma arma... Alguém já pensou em legalizar ?

Fernando Henrique Cardoso

Ex-presidente

"Isso o que está acontecendo no Rio de Janeiro é uma reação ao fato de que o governo está fazendo alguma coisa"

Luiz Carlos Barreto

Produtor

"Esse clima de Faixa de Gaza não é culpa de um ou outro governo, mas da sociedade que sempre foi negligente com a desigualdade social."

Renata Sorrah

Atriz

"Dá pra ver claramente que, desta vez, a história é bem diferente. Os bandidos saíram de onde estavam, se juntaram. E nas ruas o clima é de toque de recolher, de guerra."

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