Robson Fernandjes/AE
Robson Fernandjes/AE

Contra atropelamentos, SP vai ganhar 11 zonas de proteção para pedestres

Plano da Prefeitura é reduzir pela metade número de mortos entre o centro e a Paulista, com uso de placas, orientadores e marronzinhos

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2011 | 00h00

A cada quatro mortos no trânsito paulistano, dois são pessoas que se aventuram entre motos e automóveis para atravessar uma via. A aposta para reverter esse problema na cidade de maior frota do País (7 milhões de veículos) é criar 11 zonas de proteção ao pedestre, que servirão de modelo para o resto da capital.

O programa vai ser anunciado no dia 11 pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD). Os locais de segurança serão chamados de Zona Máxima de Proteção ao Pedestre (ZMPP) e terão, além de sinalização específica, reforço de agentes de trânsito para garantir que motos e carros não invadam as faixas de pedestre durante a travessia das pessoas. Orientadores de tráfego também vão usar bandeiras para sinalizar que os veículos devem parar.

"Não queremos que seja uma campanha que parta unicamente da Prefeitura. É preciso que seja algo com a participação do poder público, mas que envolva toda a população para ajudar a conscientizar sobre a importância de respeitar o pedestre", diz o secretário municipal dos Transportes, Marcelo Cardinale Branco. A meta da Prefeitura é reduzir pela metade os atropelamentos - a média de redução anual, por enquanto, é de menos de 10%.

As 11 primeiras ZMPPs estarão em um perímetro que vai do centro da capital até a região da Avenida Paulista. Esses locais foram palco de 11% das mortes de pedestres no ano passado, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A lista final com os pontos está em fase de conclusão pelos técnicos do Município.

Quatro locais, no entanto, já foram definidos como futuras ZMPPs. São os cruzamentos das Avenidas Ipiranga e São Luís, do Viaduto Jacareí com a Rua Santo Antônio, da Avenida Paulista com a Rua Augusta e o formado pelas Ruas da Consolação, Martins Fontes, São Luís e Xavier de Toledo.

Nas apresentações do programa, o cruzamento da Paulista com a Augusta é usado como exemplo de "ponto de conflito grave" entre pedestres e motoristas. Isso porque os motoristas que saem da Paulista para entrar à direita na Augusta precisam dividir espaço com as pessoas que atravessam no semáforo vermelho para pedestres - o verde dura apenas 12 segundos.

"É muito rápido e não dá tempo para as pessoas atravessarem. Todos ficam impacientes e depois se arriscam, mesmo tendo pouca visão dos carros que entram na Augusta", explica Élton Luís Apollo, de 48 anos, que caminha com ajuda de muletas e sempre tem de passar pelo local.

Velocidade. Especialistas em segurança de pedestres avaliam que as campanhas de conscientização são importantes, mas o principal é fiscalizar os limites de velocidade e as condições dos motoristas. "É preciso fiscalizar bem a lei seca, porque sabemos que os motoristas bêbados são os principais responsáveis pelas mortes", diz o presidente da Associação Brasileira de Pedestres (Abraspe), Eduardo José Daros. "Outra medida que a Prefeitura não pode abandonar e precisa fiscalizar é a redução do limite de velocidade."

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