FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Contra arrastão, tropa de elite da PM policiará praias da zona sul

Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro decidiu recorrer ao Comando de Operações Especiais da Polícia Militar após fim de semana com ataques a banhistas e anúncio de ação de justiceiros

Carina Bacelar, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 18h49

RIO - Acostumado a enfrentar traficantes armados de fuzis em favelas, o Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar (PM), do qual o Batalhão de Operações Especiais (Bope) faz parte, atuará nas praias da zona sul no próximo fim de semana. A tarefa será impedir que haja arrastões. A nova estratégia de policiamento da orla foi anunciada nesta quinta-feira, 24. Por causa da violência dos ataques a banhistas no sábado e domingo passados - e da anunciada ação de justiceiros contra os assaltantes -, a Secretaria de Segurança decidiu recorrer às tropas mais especializadas.

Até o início da noite desta quinta a secretaria não divulgara a quantidade de policiais militares e civis que serão escalados para o início da Operação Verão, antecipada para este fim de semana. Havia na PM a informação de que de 900 a mil oficiais e praças estão sendo convocados, entre eles policiais do Bope, do Batalhão de Choque e do Batalhão de Ações com Cães, unidades subordinadas ao COE. Em 2014, a Operação Verão começara na segunda quinzena de novembro, com 700 policiais.

A Prefeitura do Rio também participará da ação, com guardas municipais e agentes das secretarias de Ordem Pública e Desenvolvimento Social. Estes terão a função de atuar com a PM nas revistas de ônibus que saem dos subúrbios rumo à zona sul e de identificar adolescentes que estejam em situação de vulnerabilidade (sem documentos, dinheiro e adultos como responsáveis).

"A gente precisou montar uma operação de guerra para que as pessoas frequentem a praia. Isso deveria provocar uma reflexão. A praia costuma ser um símbolo da democracia", disse o coronel Íbis Pereira, chefe de gabinete do Comando Geral da PM, durante audiência pública sobre arrastões, realizada ontem na Assembleia Legislativa. O oficial afirmou que não cabe à corporação prevenir os arrastões. "A polícia ostensiva sozinha não faz previsão de arrastão. Esses garotos estão querendo apenas visibilidade. Estão querendo ser vistos, porque são invisíveis. O crime começa quando a gente nega reconhecimento", declarou.

O subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Secretaria de Segurança, Roberto Sá, afirmou que a polícia cumprirá a decisão judicial de não deter menores que não tenham sido flagrados cometendo crimes. "O que se percebe é que a polícia também tem suas limitações, seja de atuação, seja de recursos, mas vai empenhar todos os seus recursos não só para cumprir a lei como para cumprir a decisão judicial." Ele atribuiu a presença de batalhões especiais no policiamento das praias à falta de pessoal "em um momento em que você tem Rock in Rio, Flamengo e Vasco (jogo do Campeonato Brasileiro, no domingo) e Operação Verão."

Investigação. A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) da capital, que investiga delitos de menores de 18 anos que sejam infratores, colocará agentes na praia para tentar a identificação de participantes de arrastões. Eles trabalharão com câmeras de vídeo para registrar a movimentação dos grupos e, se for o caso, realizar prisões em flagrante.

A unidade já identificou que as praias da zona sul estão repartidas entre facções de comunidades. Meninos e meninas de favelas dominadas por grupos diferentes não se juntam nas areias. A praia de São Conrado, por exemplo, reduto de moradores da Rocinha (da facção Amigos dos Amigos, a ADA), não é frequentada por jovens de Manguinhos, do Jacarezinho e do Complexo do Alemão, favelas da zona norte controladas pelo Comando Vermelho (CV).

Outra informação já verificada pelos agentes da unidade é que os adolescentes não agem sozinhos nem guardam todos os objetos roubados para si. Existem redes de receptadores atuando nas comunidades. Já foram identificados comerciantes do Alemão, Manguinhos, Jacarezinho e da Baixada Fluminense que compram materiais roubados nas praias para revender, de acordo com a apuração policial. 

Na Vila Cruzeiro, favela do Complexo da Penha, na zona norte, policiais da 22ª Delegacia realizaram ontem uma operação que prendeu 27 pessoas ligadas ao tráfico de drogas na região. Investigadores detectaram que traficantes de drogas do CV estavam aliciando adolescentes para realizarem arrastões na zona sul. Os criminosos recebiam e revendiam os objetos roubados.

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