'Continue firme', diz Francisco a dependente

No hospital, papa deu apoio a quem luta contra vício; milhares esperaram horas na rua para tentar ver o pontífice passar

Luciana Nunes Leal, Artur Rodrigues, Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2013 | 02h07

"Continue firme", disse o papa Francisco, em português, ao torneiro mecânico Liard Cassiano, de 32 anos, há um ano e três meses livre das drogas. Liard havia feito um discurso na inauguração simbólica da nova unidade do Hospital São Francisco, na Tijuca, zona norte do Rio, dedicada ao tratamento de dependentes químicos.

"No centro de tratamento onde me recuperei sou considerado um milagre. Resgatei minha dignidade e hoje posso andar de cabeça erguida e olhar nos olhos de qualquer um", disse Liard. Recuperado em uma casa administrada pela Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus, em Presidente Prudente (SP), o rapaz disse ter se emocionado com o discurso de Francisco. "Gostei muito da parte em que o papa lembrou que São Francisco abraçou um leproso. A lepra da humanidade são as drogas."

Segundo o frei Francisco Lotti, fundador da fraternidade dos franciscanos que se dedica à recuperação de dependentes químicos, o papa agradeceu pelo trabalho realizado. "Não saia deste caminho", disse o pontífice. O papa deu aos franciscanos um cálice que será usado na capela do hospital.

Convite. Três adolescentes argentinos com síndrome de Down receberam um presente inesperado enquanto esperavam o papa passar na porta do hospital. Um integrante da Guarda do Vaticano convidou o grupo para a recepção, o que incluía chegar perto do pontífice.

"Foi uma surpresa e uma emoção. Nem havíamos nos arrumado para isso", disse Mônica Cano, vice-diretora do Colégio Primário Madre Cabrini, que acompanha os adolescentes. Manuel Costello, de 14 anos, Camila Medida, de 16, e Martina Maliande, de 17, ficaram eufóricos. "O papa deu beijos em cada um de nós", contou Camila.

Mas muita gente não teve a mesma sorte. A expectativa de ver o papa Francisco em seu trajeto fez milhares de fiéis aguardarem horas sob frio e chuva nas imediações do hospital. Mas Francisco usou um carro fechado e passou rapidamente, causando decepção.

A estudante gaúcha Julia Portolini, de 22 anos, passou duas horas em cima de uma árvore esperando o papa, mas desceu decepcionada. "Só consegui ver o papa porque a janela do carro estava aberta e ele acenou."

Já o advogado Ramsés Maciel de Castro, de 34 anos, que mora em Sete Lagoas, ficou muito satisfeito. Torcedor do Cruzeiro, ele conseguiu lançar dentro do Fiat Idea onde estava o pontífice uma camisa de seu clube.

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