Conteúdo de depoimento é falso e fantasioso, diz ex-prefeito de SP

Kassab diz que acredita na Justiça, à qual vai recorrer; Garcia afirma que acusações são absurdas e inverídicas

Artur Rodrigues, Bruno Ribeiro e Fábio Leite, O Estado de S. Paulo

16 de janeiro de 2014 | 22h53

SÃO PAULO - O ex-prefeito e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, enviou nota, por meio de sua assessoria de imprensa, com seis tópicos, nos quais afirma que o conteúdo do depoimento da "testemunha Gama", prestado ao Ministério Público Estadual (MPE), é "falso e fantasioso".

"O ex-prefeito de São Paulo repudia as tentativas sórdidas de envolver, de forma contumaz, seu nome em suspeita de irregularidades que pesam contra funcionários públicos municipais admitidos há anos por concurso, cujo objetivo escuso é única e exclusivamente atingir sua imagem e honra." Kassab diz que acredita na Justiça, segundo a nota. "O ex-prefeito afirma que só tem uma defesa: a Justiça, na qual acredita e à qual recorrerá."

O texto informa que foi na gestão Kassab que se iniciou a primeira investigação sobre a máfia do ISS. "Foi a gestão do ex-prefeito de São Paulo, que sempre se pautou pela transparência e pela correção na gestão pública, que iniciou a investigação preliminar contra servidores públicos admitidos por concurso público há anos, por meio da Corregedoria-Geral do Município, com base em denúncia anônima recebida em setembro de 2012. A apuração não foi concluída porque a gestão terminou em dezembro daquele ano", continua a nota.

A investigação citada acabou arquivada pela gestão Fernando Haddad (PT), após parecer do secretário de Finanças da antiga gestão, Mauro Ricardo. Em março, no entanto, com o início do funcionamento da CGM na administração Haddad, que cruzou dados da renda e do patrimônio dos servidores, a quadrilha passou a ser investigada. O bando foi desmantelado pela CGM e MPE em outubro.

Kassab também negou manter contato com Marco Aurélio Garcia e disse que os contatos com Mauro Ricardo eram frequentes durante a época em que eles trabalharam juntos. "Reuniões sobre finanças públicas eram realizadas com o secretário de Finanças e faz dez anos que o ex-prefeito não tem contato nenhum com Marco Aurélio Garcia, irmão do secretário estadual Rodrigo Garcia."

Na nota, Kassab não faz menção sobre supostas irregularidades apontadas pelo MPE no contrato com a Controlar, mas defende o serviço. "O programa de inspeção veicular reduziu mortes e internações na cidade de São Paulo, conforme estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)."

Repúdio. O advogado Rogério Cury, defensor do empresário Marco Aurélio Garcia, repudia veementemente as acusações de que seu cliente ajudou Kassab a esconder o dinheiro. "São informações absurdas e inverídicas", disse. Cury também diz que Garcia e Kassab não conversam há anos.

O ex-secretário Mauro Ricardo também nega que pedisse para os integrantes da máfia do ISS deixarem de fiscalizar empresas de aliados. "É mentira", afirma. "A empresa citada foi autuada por simulação de domicílio fiscal", ressaltou. Ricardo atualmente é secretário da Fazenda de Salvador.

Controlar. A empresa Controlar enviou curta nota na qual afirma apenas que "nega veementemente as insinuações e afirma que sempre pautou suas ações com base nos princípios da ética e da legalidade".

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