Conteúdo das imagens e ousadia dos criminosos chocam policiais

Crianças abusadas serão encaminhadas para tratamento psicológico em instituições especializadas

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

O conteúdo das imagens apreendidas chocou até os policiais envolvidos na Operação Tapete Persa, pela ousadia dos pedófilos e pelo grau de perversão praticado contra crianças de idade tenra, alguns recém-nascidos. "É uma vergonha, parece que a humanidade está se degradando com o passar do tempo", lamentou o delegado Stenio Santos Souza, chefe do Grupo Especial de Combate aos Crimes pela Internet da Polícia Federal.

As crianças abusadas serão encaminhadas para tratamento psicológico em instituições especializadas. A lei, segundo o delegado, prevê que elas sejam alvo de cuidados especiais do Estado até que sejam consideradas recuperadas do trauma - o que pode ocorrer só na maioridade.

O nome da operação faz alusão a um dos vídeos compartilhados por pedófilos numa rede ponto a ponto, com imagens degradantes de uma criança de 6 anos sendo abusada sexualmente. O pano de fundo da cena é um tapete, que deu nome à primeira investigação ("perserttepich", no idioma alemão) feita na Alemanha, em 2009.

Ainda em 2009, a unidade central da PF para crimes de pedofilia iniciou investigações para identificação dos locais utilizados pelos suspeitos na prática dos crimes no Brasil e individualização de cada um das condutas praticadas. Encarregado da operação, o delegado Marcelo Bórsio disse que a Polícia Federal se aparelhou tecnicamente e fará um combate cada vez mais duro contra os abusadores de crianças no Brasil.

A operação atual mostrou que o País é um dos líderes mundiais nesse tipo de crime. "É um marco extremamente negativo para o País", lamentou. "Por mais que se combata esse crime abjeto, as pessoas continuam a praticá-lo de forma cada vez mais ousada."

Alerta. Bórsio fez um alerta para que as famílias brasileiras redobrem as atenções ante o aumento dos casos de aliciamento de menores pela internet. Muitos são convencidos a exibir suas partes íntimas pela webcam, simular masturbação ou mesmo fazer sexo com outras crianças. Há casos em que as vítimas são atraídas para encontros, mediante oferta de presentes, uma pizza, um sorvete, um cinema ou um programa infantil.

Na maior parte, os vilões são homens adultos e instruídos, com padrão de vida de razoável a bom. Mas há também casos de mulheres adultas abusando de meninas - além de situações quase impensáveis, como de padres, pediatras e professores abusando de crianças. "Em regra, quem compartilha pornografia infantil, mais dia, menos dia, torna-se abusador de menores quando tem chance", diz Bórsio.

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