Rafael Italiani/Estadão
Rafael Italiani/Estadão

Contadores do PCC são presos em chácara

Onze criminosos foram detidos pela Polícia Civil durante reunião de prestação de contas da facção criminosa no interior de SP

Rafael Italiani, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2015 | 13h17

Atualizada às 16h07

SÃO PAULO - Um bando de 11 criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC) foi preso na noite desta quarta-feira, 9, em um condomínio de luxo em Mairinque, no interior do Estado, durante uma reunião de prestação de contas do crime. Membros do chamado ‘Estado Maior’, ou ‘Final Estado’, eles eram os responsáveis em passar as planilhas de contabilidade da facção criminosa aos líderes presos, entre eles Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

A operação do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) também apreendeu 39 telefones celulares, sete computadores, dados contábeis das operações de tráfico de drogas e cartas cifradas.

De acordo com Alberto Pereira Matheus Junior, delegado da 4° Divisão de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) e divisionário do Denarc, foi uma das maiores ações de combate ao crime já realizada neste ano. “Asseguro a vocês que é o maior golpe contra a facção criminosa. O ‘Estado Maior’ do partido foi preso”, disse durante coletiva de imprensa, na manhã desta quinta-feira, 10.

Segundo ele, outros quatro integrantes do setor contábil e administrativo do crime conseguiram fugir e pelo menos 15 pessoas participavam da prestação de contas. Em um dos documentos que serão periciados está uma rifa que, até a reunião, já tinha arrecadado mais de R$ 1 milhão. De acordo com Martins Junior, as outras trocas de mensagens e documentos recolhidos devem revelar quantias maiores. “Após a quebra dos sigilos bancários e telefônicos, a apuração do destino para onde esse dinheiro foi, vamos trazer essa contabilidade. Mas eu asseguro a vocês que nós vamos tratar de alguns milhões”, disse.

Também há papéis com telefones, nomes e endereços de outros criminosos que, de acordo com o delegado, fazem parte do “terceiro escalão” do PCC: torres e sintonias. Entre os detidos está André Luiz Rodrigues Pereira, de 33 anos, o Pateta. Foragido desde 2001, ele foi resgatado por criminosos durante um comboio que transportava presos, na Rodovia Castello Branco. 

Parte da operação da Polícia Civil foi determinada também a partir de informações obtidas na prisão de Wellinton Xavier dos Santos, o Capuava, considerado um dos maiores traficantes do Estado, preso em flagrante no dia 17 de julho com 1,6 tonelada de cocaína pura e outros 898 insumos utilizados para fazer a droga. Ele foi detido em um sítio na cidade de Santa Isabel, também no interior, em uma propriedade onde o PCC mantinha um laboratório da droga. 

Em agosto, o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) Otavio Henrique de Sousa Lima, por meio de habbeas corpus, concedeu a liberdade para o criminoso para que Capuava pudesse responder às acusações em liberdade. O magistrado foi afastado e o tribunal abriu um procedimento para investigar o motivo do juiz ter concedido o benefício. 

Estrangular. Os 14 criminosos que se reuniram na chácara de 3.000 metros quadrados formavam todo o escalão que administrava o esquema financeiro da quadrilha no Estado de São Paulo.

Uma vez por mês, eles organizavam as prestações de contas e sempre faziam um churrasco ao final. Cada um era responsável por uma região do interior e subdivisões da região metropolitana. O secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, disse que os presos são o caminho para desmontar o PCC. “(Foram presos) Onze dos 14 membros do maior escalão fora da prisão, que controla o sistema financeiro, a compra e a venda dos entorpecentes. O importante é seguir o caminho do dinheiro, estrangular financeiramente a organização “disse.

De acordo com a polícia, para não chamar a atenção durante as reuniões mensais, os criminosos utilizavam carros que não chamassem a atenção. Além disso, uma das posturas adotadas pelos contadores do crime era a de não utilizar armas de fogo, evitando possíveis prisões em flagrantes. Para se sentirem mais seguros, eles chamavam “seguranças” que andavam armados. 

No momento em que os homens da Polícia Civil chegaram na chácara, alguns disparos foram feitos por criminosos que estavam no local, mas nenhuma arma foi apreendia. A droga que eles portavam era para uso próprio. 


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