Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Consumo de droga resiste à polícia na Peixoto Gomide

Investigadores detiveram quatro acusados de tráfico, mas parte dos frequentadores da feira das drogas não se intimidou com ação

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

22 Fevereiro 2014 | 19h31

SÃO PAULO - No primeiro fim de semana depois que a feira livre de drogas da Rua Peixoto Gomide, perto da Avenida Paulista, foi relatada pelo Estado, policiais civis e traficantes participaram de um jogo de gato e rato com um grupo querendo abastecer o pulsante mercado ali instalado e o outro tentando impedir o comércio. O efeito imediato da ação foi que a oferta escancarada de narcóticos, antes feita na base do grito, parou. Mas o consumo de maconha e cocaína continuou a ser feito entre as Ruas Augusta e Frei Caneca.

Ao menos quatro pessoas foram presas, todos jovens com pequenas quantidades de entorpecente. Alguns dos frequentadores da rua estavam tão fora de si que nem perceberam a presença dos policiais. Foi o que aconteceu quando policiais detiveram dois rapazes e estavam com a droga apreendida - cinco trouxinhas de maconha - exposta na calçada. Um rapaz apareceu entre os policiais, olhou para a droga e perguntou: "Está vendendo?" O policial, incrédulo, respondeu: "Vendendo o quê?" Ao que o jovem rebateu: "Vendendo maconha." "Estou vendendo isso aqui, ó", disse o policial, mostrando o distintivo preso no peito com uma corrente. O rapaz só foi embora após o policial ameaçar prendê-lo.

O Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) iniciou a operação às 21h. Às 22h, quatro viaturas bloquearam a rua, mostrando a todos os que estavam ali a forte presença policial. Mas, assim que a operação foi desmontada, jovens voltaram a consumir as drogas. Aí começaram as pequenas abordagens, feitas por policiais disfarçados na rua.

A reação foi que o movimento "miou", segundo jovens diziam entre si. "Aqui não vai dar nada hoje, tá embaçado", disse um. "Nem adianta passar aqui na rua, que não tem ninguém hoje", disse outro, na esquina da Augusta. "Vamos lá pra Rua Paim", disse outro, referindo-se a outro conhecido ponto de venda de drogas na região.

As abordagens policiais chegavam a esvaziar parte da rua no momento em que elas ocorriam. Mas grupos tornavam a se formar, para beber, fumar maconha ou cheirar algumas carreiras de cocaína, quando as viaturas iam embora. As viaturas, tanto da Polícia Civil quando da Militar, que passavam por ali com velocidade bastante reduzida, não intimidavam os grupinhos.

A presença das viaturas foi bem vista por parte das pessoas que se diverte naquela rua. "Ainda bem que tem polícia aqui. Você passa nessa calçada e tem gente te oferecendo todo tipo de m...", disse um homem na casa dos 50 anos para duas mulheres mais jovens que estavam com ele. Até a tarde de ontem, a polícia não havia divulgado o balanço final da operação.

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