Consumo de água sobe em São Paulo pela 2ª vez em três meses

Balanço do programa de bônus da empresa aponta que 21% dos consumidores aumentaram o gasto em outubro

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

11 Novembro 2015 | 13h10

Atualizada às 20h20

SÃO PAULO - Pela segunda vez em três meses, menos pessoas economizaram água na Grande São Paulo. Dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), divulgados nesta quarta-feira, 11, apontam que o índice da população que consumiu mais água subiu de 19% para 21% em outubro, mesmo com as restrições provocadas pela crise hídrica e com o Cantareira, considerado o principal sistema hídrico, operando no volume morto.

De acordo com os dados do programa de bônus da Sabesp, o índice daqueles que economizaram água e receberam desconto caiu de 70% para 67% no mês passado. Desses, o grupo responsável pela maior economia, que recebe abono de 30% na conta, também reduziu três pontos porcentuais. Eram 59% do total de clientes em setembro e passaram a ser 56% em outubro. A economia é calculada em relação à média mensal antes da crise hídrica, entre fevereiro de 2013 a janeiro de 2014.

Paralelamente, desde janeiro deste ano, quem aumenta o consumo de água está sujeito a uma multa de até 50% no valor da conta. A partir de então, a Sabesp só havia registrado redução na economia em agosto, quando o número de pessoas que gastaram mais subiu de 17% para 20%. Na época, a Sabesp justificou a queda na economia pelo calor excessivo e chuvas abaixo da média.

Desta vez, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, afirmou que não tinha "dados objetivos" e que não poderia "especular" sobre as causas do aumento do consumo de água.

Crise continua. A redução da economia se deu mesmo com a continuidade da crise nos sistemas hídricos que abastecem a Grande São Paulo. Apesar de a situação ser melhor do que no ano passado, o Cantareira, que opera com índice negativo de - 12,1%, recebeu em outubro menos da metade do volume médio de água que entrava no sistema antes da crise. A vazão afluente foi de 12,54 m³/s, enquanto o manancial chega a receber cerca de 40 m³/s em períodos de normalidade.

"Estamos longe de estar bem, a situação não está boa. Mas já estamos com mais água estocada no Sistema Cantareira e estamos tirando muito menos água do que no ano passado", admitiu Jerson Kelman durante um evento no Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), nesta manhã. "Mesmo que aconteça a desgraça que aconteceu no ano passado, nós estamos preparados."

Além do programa de bônus e da aplicação de multa para os "gastões", a Sabesp reduz, desde o ano passado, a pressão nas tubulações durante o dia, impondo longo períodos de seca a algumas áreas da região metropolitana - o que, para especialistas, seria uma forma de racionamento.

Na sua apresentação, Kelman elogiou a gestão da crise feita pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB). "Isso aí resume um pouco uma história de sucesso. A meu ver uma história de sucesso", disse. O presidente da Sabesp também destacou obras de interligações entre os sistemas hídricos da Grande São Paulo, que possibilitou, por exemplo, que o Guarapiranga socorresse áreas antes atendidas pelo Cantareira.

A secretária-adjunta de Recursos Hídricos de São Paulo, Mônica Porto, compartilha da visão de Kelman. "Não ter tido um colapso no sistema é um grande sucesso", afirmou no evento. "O que foi feito para contornar o tamanho do tranco que a Região Metropolitana de São Paulo levou é enorme."

Em nota, a Sabesp informou que "a adesão da população da Grande São Paulo ao Programa de Bônus chegou a 79% dos clientes no mês de outubro na Região Metropolitana e na Região Bragantina"

No total, segundo a empresa, "a economia de água feita pelos moradores atendidos pela Sabesp fez com que a companhia deixasse de retirar no mês passado 6,2 mil litros por segundo das represas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo e a área de Bragança Paulista". 

"O volume economizado é suficiente para abastecer cerca de 2 milhões de pessoas, correspondente às populações somadas das cidades de Campinas, Sorocaba e Santos, aproximadamente", disse ainda a Sabesp. 

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