Consumo de água cai, mas 1/4 gasta mais

Ampliação das faixas de desconto na conta permitiu reduzir consumo em 4,1 mil litros por segundo em novembro, segundo a Sabesp

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2014 | 03h00

Após dois meses sem queda, o consumo de água na Grande São Paulo voltou a cair em novembro, quando passaram a valer as novas faixas de bônus do programa da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Segundo balanço da empresa, a economia foi de 4,1 mil litros por segundo, volume recorde e 13,9% superior ao de outubro. Os dados indicam, porém, que a última aposta para estimular a redução do consumo não surtiu efeito para 1/4 dos clientes, que gastaram mais, apesar do agravamento da seca.

De acordo com a Sabesp, 53% dos consumidores diminuíram em ao menos 20% o gasto com água em novembro e obtiveram 30% de desconto. Em outubro, foram 50%. Foi no mês passado que passaram a vigorar as faixas de descontos para quem reduzir o consumo entre 10% e 20%. O objetivo era estimular aqueles que não conseguiam atingir a meta inicial a continuar economizando. Segundo a Sabesp, 23% dos consumidores reduziram abaixo da meta de 20% em novembro, mas o levantamento de quantos clientes atingiram as faixas intermediárias de desconto ainda não foi concluído. 

Ainda em queda. Segundo a companhia, o volume economizado é suficiente para abastecer 1,2 milhão de pessoas, a população de São Bernardo e Diadema. Apesar das regras, 24% dos consumidores continuam gastando mais água em relação à média do ano passado, índice praticamente estável desde agosto. Ontem, o nível do Sistema Cantareira caiu para 7,8%, já considerando a segunda cota do volume morto. O Alto Tietê, o segundo maior manancial que abastece a Grande São Paulo, está com 4,7% da capacidade.

Para Malu Ribeiro, coordenadora da ONG SOS Mata Atlântica, os dados mostram que “grande parcela da população ainda não entendeu a gravidade da crise” de estiagem nos mananciais paulista. “É preciso penalizar os setores que continuam desperdiçando água”, disse.

Segundo ela, nos imóveis residenciais, os vilões continuam sendo os condomínios, que não têm medidores individuais de consumo. “Dos 15 edifícios que nós administramos na Pompeia (zona oeste paulistana), só um atingiu a meta da Sabesp, porque cada apartamento tem seu hidrômetro. A maioria não conseguiu reduzir o consumo apesar do nosso esforço”, disse Alex Esaú dos Santos, sócio da Gialmar Condomínios. 

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