Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Construtora trava briga com Haddad por rua no Itaim

Terreno em bairro nobre de São Paulo será incorporado a obra e espaço terá praça; preço de área causa divergência com a Prefeitura

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

26 Março 2016 | 03h00

O impasse sobre a venda de uma rua de 589 metros quadrados impede a construção de um megaempreendimento comercial em um dos endereços mais caros da zona sul: o cruzamento da Avenida Brigadeiro Faria Lima com a Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim-Bibi. Prevista em lei aprovada em 2014, a negociação ainda não avançou, assim como as obras de uma torre de escritórios, um teatro e uma praça, todas paradas desde outubro. A Prefeitura pede ao menos R$ 21 milhões.

Apesar de existir no mapa, a Rua Osvaldo Imperatrice foi incorporada ao terreno do futuro B32, projeto da empresa Faria Lima Prime Properties (FFLP). Quem passa a pé ou de carro pela região não consegue mais acessar a via, que funcionava como uma espécie de paralela sem saída à Faria Lima. Sem a concretização da compra, no entanto, a construção está pendente. Segundo os investidores, só com a incorporação oficial da rua é que o teatro e a praça sairão do papel.

O imbróglio é financeiro, uma vez que tanto a empresa como a gestão Fernando Haddad (PT) – que aprovou a venda na Câmara Municipal – têm interesse no negócio. Para a Prefeitura, o metro quadrado do terreno vale R$ 34,8 mil, mas para a empresa custa até R$ 15 mil. A diferença é de R$ 12 milhões.

Segundo o gestor do B32, Rafael Birmann, a cidade não vai perder área pública. “Vamos devolver 8 mil m² em forma de praça, e pagar por isso. É ou não um bom negócio para a Prefeitura?” A FFLP aguarda o lançamento de novo edital, com preço mínimo menor, para fazer uma proposta. Lançada ano passado, a primeira licitação da rua não teve interessados.

“Vender uma rua ou qualquer outra área pública ociosa na cidade é trocar um ativo por creches, postos de saúde, hospital. São Paulo tem um capital enorme parado por causa dessa resistência. É um viés ideológico, que atrapalha”, lamenta Birmann. De acordo com o gestor, há outros 3,1 mil m² na região da Faria Lima passíveis de venda pela Prefeitura a um preço estimado de R$ 47 milhões.

Segundo a gestão Haddad, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) autorizou o fechamento temporário da via em função das obras de fundação do empreendimento que, associadas ao período de chuvas, deixaram a área da rua sujeita a escorregamento.

Patrimônio. A Rua Oswaldo Imperatrice não é a única à venda na capital. Haddad pediu autorização à Câmara no mês passado para vender uma via na zona norte por R$ 1,2 milhão. O valor pagaria um trecho de 700 m² da Rua Atambaré, no Parque Novo Mundo, onde estão unidades fabris da SantaConstancia, empresa de tecelagem com interesse na compra.

Segundo a Prefeitura, a via não tem relevância para a malha viária. Se aprovado pelos vereadores, o projeto prevê a abertura de um processo de licitação, que, após concluído, “reverterá em recursos para o erário, que poderão ser usados para o cumprimento das funções essenciais do Município”, justifica o prefeito.

Diretor-presidente da empresa, Alessandro Pascolato diz que a compra da rua é planejada há dez anos. Segundo ele, a intenção da empresa é proteger a área de invasões, além de facilitar trabalhos internos da fábrica. Antes mesmo da compra, porém, a SantaConstancia fechou os acessos à via. No lugar da rua há agora um muro, que, segundo a Subprefeitura de Vila Maria-Vila Guilherme, deverá ser retirado para desocupação da área pública, pelo menos até que o negócio seja finalizado.

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