Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Consórcio PCJ emite alerta sobre risco de desabastecimento em 44 cidades

Estiagem prolongada e aumento no consumo de água por causa das altas temperaturas justificam baixa disponibilidade hídrica

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2020 | 09h00

SÃO PAULO - Responsável por gerenciar as Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, o Consórcio PCJ emitiu alerta na quarta-feira, 7, sobre risco de desabastecimento em 44 cidades de São Paulo. Segundo a entidade, a região atravessa estiagem prolongada e aumento no consumo de água por causa das altas temperaturas.

De baixa disponibilidade hídrica, a área do PCJ compreende um total de 66 municípios - e, entre eles, Atibaia e Valinhos já teriam registrado problemas recentemente, segundo representante do Consórcio. Do grupo, apenas Campinas e outras 21 cidade estariam com o abastecimento garantido por água captada em outro sistema, o Cantareira. Em média, o manancial oferta 10 m³/s para os rios do PCJ.

Para o secretário-executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahoz, o cenário é preocupante, mas reversível. “Estamos em situação de alerta, mas sob controle”, diz. “Esses 22 municípios do PCJ que são abastecidos pelo Cantareira estão assegurados até que a chuva chegue. Já os outros 44 municípios vão precisar de atendimentos pontuais, economizar e consumir menos. Talvez, nós tenhamos de implementar o mesmo programa de redução de consumo da crise hídrica de 2014.”

No alerta divulgado, o Consórcio afirma que a região passa por “evento climático extremo” de seca e que as chuvas ficaram  73% abaixo da média histórica em setembro. Em paralelo, o consumo de água teria aumentado cerca de 20% por causa do calor, ficando acima da capacidade de fornecimento do Sistema PCJ. “Estamos fazendo esse alerta não por alarmismo, mas para que as pessoas se sensibilizem”, afirma Lahoz.

De acordo com o comunicado, a previsão é de continuar com baixas precipitações nos próximos meses. “Setembro marcou o início do evento meteorológico ‘La Niña’, que arrefece as águas do Oceano Pacífico, ocasionando redução de chuvas no Sul e Sudeste do Brasil”, registra. “A participação da comunidade nesse contexto é fundamental para evitar o agravamento de medidas mais restritivas ao consumo.”

Lahoz também afirma que, embora obras de interligação e melhorias no gerenciamento dos recursos hídricos devam evitar um colapso neste momento, o cenário dos próximos anos é pessimista. “Em 2018, as chuvas ficaram 12% abaixo da média histórica. Já em 2020, estamos 25% abaixo. Talvez, em 2021, será 40%”, diz. “Não vamos entrar em crise agora, mas temos de tomar providências para que 2021 não nos dê essa surpresa.”

Sabesp diz que situação ‘não oferece risco’

Em nota, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) afirma que “não há risco de falta d'água”. “Os reservatórios do Sistema Integrado que abastece a Região Metropolitana de São Paulo – do qual o Cantareira faz parte - estão com volume total hoje de 49,2% de sua capacidade”, diz. “Neste mesmo dia em 2014, ano da crise hídrica, o Sistema Integrado tinha 5,1%.”

Como exemplo, a autarquia cita o ano de 2018, que também foi de estiagem mas não teria havido desabastecimento no Estado. “Isso porque o sistema é flexível e integrado, permitindo abastecer diferentes regiões com água de mais de um reservatório”, afirma. “A Sabesp realizou obras de interligação dos sistemas, ampliação de transferência de água bruta, um novo sistema produtor (São Lourenço), o que equilibra a operação do abastecimento.”

“A situação não oferece risco ao abastecimento, mas a Companhia pede à população que use de forma consciente a água, evitando desperdício”, diz a nota.

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