Consolação: de região afastada a bairro badalado da cidade

Consolação: de região afastada a bairro badalado da cidade

Hoje, com índice de desenvolvimento europeu, bairro histórico está bem distante do pequeno povoado que o criou em 1779

O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2014 | 08h10

Se a Consolação fosse um país, nem a Noruega seria páreo: com Índice de Desenvolvimento Humano de 0,950, o bairro lideraria o ranking de nações, superando os nórdicos. Bem-sucedida, sua população caberia no Estádio do Morumbi. São cerca de 50 mil habitantes, segundo estimativa da Fundação Seade. Esse cenário “europeu” é um horizonte muito distante do longínquo 1779, quando devotos fundaram uma capela em homenagem à Nossa Senhora da Consolação e cravaram a pedra fundamental de um dos principais bairros centrais de São Paulo.

À época, a região era bem afastada do núcleo da cidade, e o pequeno povoado crescia às margens da estrada que começava no final da rua Direita, passava pelo Anhangabaú e tomava o rumo de Pinheiros até chegar à Estrada de Sorocaba. Parada obrigatória dos viajantes, a antiga estrada já foi chamada de Caminho do Aniceto e rua dos Taques antes de virar a hoje movimentada rua da Consolação.

A pequena capela virou Igreja de Nossa Senhora da Consolação só em 1799, 20 anos depois, atraindo as primeiras obras públicas para a região. Em 1840, aconteceu a primeira reforma da igreja. Em seguida, foi criada a Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e São João Batista para cuidar de doentes que “vagavam pela Província”, levando ainda mais reconhecimento à região.


Pouco a pouco, o bairro, antes constituído de casas modestas, passou a abrigar os grandes casarões dos barões do café, que mudaram por completo a paisagem. E surgia também o primeiro cemitério público da cidade, hoje conhecido de Cemitério da Consolação. Sua construção foi o desfecho de uma longa polêmica sobre o sepultamento em igrejas, prática contestada por sanitaristas e médicos. A localização foi considerada estratégica porque ficava no extremo da cidade – sinal de que a São Paulo de então pouco lembrava a megalópole de hoje. Parte do terreno foi doada por Domitila de Castro, a Marquesa de Santos. Ela e outros ilustres, como os escritores Mário de Andrade e Monteiro Lobato, estão enterrados no local.

Com a proclamação da República, em 1889, foram abertas ruas, avenidas e alamedas no bairro. Foi ali que surgiu o primeiro estádio de futebol do Brasil, com a adaptação do antigo Velódromo Paulistano, em 1901, para a prática do esporte bretão. Hoje, a Consolação é um bairro acima de tudo misto, de ocupação comercial e residencial, e de vida noturna bem agitada, expressando a diversidade cultural da cidade. A Rua Augusta, por exemplo, é ponto de encontro de diversas tribos de diferentes idades em torno das várias opções de lazer: bares, restaurantes, cafés, cinemas, teatros, casas noturnas etc. Outro lugar emblemático é a praça Roosevelt, onde se reúnem skatistas e grupos de teatro. Na rua da Consolação, fica a Biblioteca Mário de Andrade, em homenagem ao escritor, que abriga um acervo com aproximadamente 3,3 milhões de títulos.

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