Conselho estadual aprova ciclovia na Avenida Paulista

Ainda de acordo com o Condephaat, não é preciso alterar a cor da via exclusiva diante de bens tombados na capital paulista

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2014 | 09h19

Atualizada às 21h05

SÃO PAULO - Por 11 votos favoráveis e quatro abstenções, o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat) aprovou a instalação da ciclovia no canteiro central da Avenida Paulista, na região central de São Paulo. A decisão foi tomada pelos conselheiros no dia 24 do mês passado e publicada nesta quinta-feira, 11, no Diário Oficial do Estado.

Ainda falta, porém, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que protege o Museu de Arte de São Paulo (Masp), autorizar a obra. “Pedimos uma complementação (à Prefeitura) para a análise (do projeto). São considerações que devem ser bem elaboradas e detalhadas, que contemplem tanto a preservação do bem tombado quanto a necessidade urbana de mobilidade”, diz Cristina Donadelli, diretora técnica e superintendente em exercício da seccional paulista do Iphan.

Ela afirma que a deliberação do conselho não provocará impacto no cronograma da Prefeitura, que planeja iniciar a obra nos primeiros dias de janeiro.

Ciclistas que costumam passar pela região da Avenida Paulista defendem a construção da ciclovia na via, porque ela é mais plana e tem mais polos de atração do que as ruas paralelas, menores e mais íngremes.

“Se fizessem nas paralelas, os ciclistas iriam continuar usando a Paulista, porque é o caminho mais curto. Se quando estamos de carro já buscamos o caminho mais curto para chegar primeiro, imagina em uma bicicleta, que demanda mais esforço físico”, afirma o cicloativista Willian Cruz, do site Vá de Bike.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que as obras da ciclovia devem ser finalizadas seis meses após o início do ano. O órgão não tem uma estimativa do número de usuários que deverão usar a estrutura. Contudo, por dia, passam pela ciclofaixa de lazer montada aos fins de semana na avenida 5 mil pessoas.

A ciclovia será construída onde hoje fica o canteiro central da avenida, ao longo do eixo de 3,8 quilômetros da Paulista e da Rua Bernardino de Campos. Esta última passará também por um processo de requalificação urbanística, com o enterramento da fiação - obras que já tiveram início. A CET afirma que já definiu o projeto, orçado em R$ 15 milhões.

Vermelho. Na mesma sessão que garantiu a autorização para a Secretaria Municipal dos Transportes executar a obra, o Condephaat, que é vinculado à Secretaria Estadual da Cultura, ainda decidiu não acatar a proposta de uma de suas conselheiras, Valéria Rossi Domingos, de mudar a cor das ciclovias que passam diante de bens tombados na capital, como o prédio do Masp.

Nesse caso, houve sete votos contrários, seis favoráveis e uma abstenção. Com isso, as ciclovias podem continuar sendo construídas com a cor do restante das vias, o vermelho.

Há alguns meses, membros do PSDB chegaram a acusar a gestão de Fernando Haddad (PT) de escolher a cor de seu partido para sinalizar as vias exclusivas de bikes, embora essa seja a cor regulamentada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

O órgão federal estabeleceu que a cor vermelha, adotada em países como a Holanda e em cidades como Barcelona, na Espanha, onde há intensivo uso de bicicletas, é “usada para proporcionar contraste, quando necessário, entre a marca viária e o pavimento das ciclofaixas ou ciclovias, na parte interna destas, associada à linha de bordo branca ou de linha de divisão de fluxo de mesmo sentido”.

Além do Masp, o Condephaat protege o entorno do Conjunto Nacional, aberto na década de 1950 na Avenida Paulista e projetado por David Libeskind.

Deliberação. O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp) já havia avaliado que a intervenção não causaria impacto a bens tombados e, portanto, o caso não precisou ser encaminhado para uma deliberação dos conselheiros.

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