Conselheiro que revelou abuso no PA é ameaçado

Homem diz que recebe telefonemas anônimos; menina de 14 anos estuprada em cadeia reconhece 4 agressores

CARLOS MENDES , ESPECIAL PARA O ESTADO / BELÉM, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2011 | 03h04

O conselheiro tutelar Benilson Silva, que denunciou às autoridades a violência sexual que T., de 14 anos, sofreu dentro da colônia penal Heleno Fragoso - em Santa Isabel do Pará, a 50 km de Belém - durante quatro dias, pediu proteção policial.

Ele disse que recebe ameaças de morte por telefone. Segundo Silva, em um dos telefonemas foi advertido que corria risco, assim como a mulher e os filhos, se não parasse de dar entrevistas sobre o caso. A polícia disse que vai protegê-lo. O Conselho Tutelar decidiu afastá-lo do caso. A Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República mandou a Belém uma comissão para investigar o caso.

A garota reconheceu em fotografias de detentos da colônia quatro presos que a teriam violentado. Ela reafirmou que havia estado uma vez no presídio, antes de ter sido abusada por vários prisioneiros. Acrescentou que teve de vestir roupas masculinas para entrar nos pavilhões 1 e 4. "Ficávamos (ela e mais duas meninas) presas em um quarto. Se tentássemos correr, eles nos matavam. Fugi para não morrer", disse T.

Pente-fino. Após a denúncia de estupro, a Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe) do Pará começou a revisar os cadastros de visitantes nas unidades do Estado para verificar situações irregulares. Segundo a Susipe, as inscrições de visitantes agora são conferidas por servidores treinados. O Núcleo de Administração Penitenciária e a Assessoria de Segurança Institucional da Susipe, com apoio da Polícia Militar, também têm feito revistas em todos os presídios. / COLABOROU PRISCILA TRINDADE

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