Conpresp quer tombar cavas de ouro do Pico do Jaraguá

Apinhado de torres de transmissão de sinais de televisão, com suas bordas já deterioradas por conta das inúmeras ocupações irregulares, o Pico do Jaraguá não é só o ponto mais alto da capital como também um símbolo da história paulistana. Foi ali, em 1588, que o minerador Afonso Sardinha descobriu ouro - segundo muitos historiadores, seria a primeira mina do metal precioso no Brasil.

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

16 Março 2011 | 00h00

Para preservar um pouco desse esquecido capítulo de São Paulo, o Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade (Conpresp) abriu ontem o processo de tombamento das cavas de ouro históricas do Jaraguá, locais onde o ouro foi explorado até o esgotamento, no século 19. Parte dessas cavas está hoje aterrada ou repleta de lixo - a intenção é, com o tombamento, preservar e recuperar essas áreas.

"As ocupações irregulares destruíram muitas cavas. O processo de tombamento serve para levar mais conhecimento histórico às pessoas, até para recuperar aquela região, que se encontra degradada", diz a arqueóloga Paula Nishida, do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), órgão da Secretaria Municipal de Cultura.

Documentos da antiga Casa de Fundição que existiu em São Paulo mencionam ouro do Jaraguá sendo fundido e marcado para dele se extrair o quinto pertencente ao rei - em 1879, a extração na mina era tão abundante que o Jaraguá chegou a ser chamado de "o Peru do Brasil". Alguns historiadores também afirmam que as primeiras moedas cunhadas no Brasil foram feitas com o ouro vindo da zona oeste paulistana, ainda em 1646.

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