Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Conpresp pode tombar abadia modernista

Edifício aos pés da Cantareira tem projeto de Hans Broos e paisagismo de Burle Marx

Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2012 | 03h05

A Abadia de Santa Maria, no Tremembé, zona norte da capital, pode ser declarada patrimônio histórico do Município nos próximos meses. Um processo de tombamento do prédio, que abriga 20 monjas da Ordem do Mosteiro de São Bento, está sendo analisado desde junho pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).

O edifício modernista fica nos fundos de um terreno cercado por verde aos pés da Serra da Cantareira. A construção, de 1974, seguiu projeto do austríaco naturalizado brasileiro Hans Broos. O paisagismo é assinado por Roberto Burle Marx. Se o tombamento for confirmado, as monjas terão de pedir autorização à Prefeitura antes de começar qualquer obra estrutural.

"Muita gente entende o tombamento como uma limitação do direito de propriedade, mas é, na verdade, o reconhecimento público do valor que determinada construção tem para a cidade", afirma o presidente do Conpresp, José Eduardo de Assis Lefèvre, que também é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).

Lefèvre esclarece que, mesmo após o tombamento, a Ordem do Mosteiro de São Bento continuará responsável por autorizar a entrada de visitantes e cuidar da manutenção do prédio. As monjas, que vivem em regime de reclusão, teriam manifestado esses receios por meio de uma carta enviada ao conselho. Procuradas, elas disseram que não poderiam dar entrevistas.

A arquiteta e professora do Mackenzie Nadia Somekh, representante do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) no Conpresp, foi escolhida como relatora do processo de tombamento. "A abadia é muito bonita. É interessante como o modernismo criou um ambiente religioso, o que algumas pessoas poderiam achar contraditório", opina. "Além disso, é uma área verde importantíssima para a cidade."

"Broos era um arquiteto que tinha obsessão pelos detalhes em seu trabalho, que é de altíssima qualidade", diz Lefèvre. "A abadia é particularmente interessante porque o prédio tem uma linguagem modernista, com uso de concreto aparente, por exemplo, mas, por outro lado, lá dentro as monjas seguem uma rotina beneditina, que é milenar."

O austríaco é responsável por outra obra religiosa inspirada no modernismo: a Igreja de São Bonifácio, na Vila Mariana, zona sul. O Conpresp já tombou um projeto de Bross na capital. Em 2008, a residência do arquiteto, no Morumbi, também na zona sul, foi declarada patrimônio histórico. Nascido na Áustria, Broos estudou na Alemanha e se mudou para o Brasil nos anos 1950.

Segunda sede. A primeira sede da Abadia de Santa Maria foi construída em 1911, na Rua São Carlos do Pinhal, a uma quadra da Avenida Paulista, região central, onde hoje funciona o Hotel Maksoud Plaza. De estilo neorromânico, foi financiada pela irmã Ana Abiah da Silva Prado, de família tradicional de São Paulo.

O barulho provocado pelos automóveis que já circulavam pela região em 1974 e a falta de privacidade, causada pelos prédios altos da vizinhança, fizeram as monjas procurarem nova sede. Em 1974, o mosteiro mudou para o atual endereço.

Serviço. A Abadia de Santa Maria fica na Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, 4.300, Tremembé. Mais informações pelo telefone (11) 2265-5095.

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