Conheça as histórias de quem embarcou no vôo 3054

Airbus da TAM caiu próximo ao Aeroporto de Congonhas com 186 pessoas a bordo

Rita Loiola, do Estadão,

18 de julho de 2007 | 21h32

Ao chegar ao portão de embarque do vôo 3054, Marcelo Stelzer sentiu um súbito mal-estar. Antes de entrar no avião, pegou o telefone e pediu a sua mãe, que o esperava em São Paulo, para fazer uma sopa. Chegaria para o jantar. Com a sopa pronta no fogão, a mãe do técnico eletrônico não pode rever o filho. Viu pela televisão que o avião que saiu de Porto Alegre, onde ele embarcou, era o protagonista da maior tragédia da aviação brasileira.   Veja também: Lista das 186 vítimas do acidente O local do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Os piores desastres aéreos do BrasilA cronologia dos acidentes em Congonhas Conheça o Airbus A320Galeria de fotos Assista a vídeos feitos no local do acidente Conte o que você viu e o que você sabe   Como o rapaz, Carlos Zanotto também acordou na terça-feira, 17, para cumprir uma obrigação de seu trabalho, na Vinícola Aurora. O novo superintendente acordou e pegou o vôo 3064 de Porto Alegre a São Paulo. Aos 46 anos, tinha finalmente sido promovido a superintendente na empresa onde trabalhava há 32 anos, e precisava resolver assuntos da empresa. Com ele, ia também Ivalino Bonatto, de 54 anos, um colega na vinícola. O filho de Carlos, de 11 anos, e a esposa não verão o empresário entrar novamente pela porta da casa.  Nas cadeiras próximas, outros homens de negócios não puderam terminar seu trabalho. O gaúcho Rubem Wiethauper, o argentino Alejandro Camozzi, de 31 anos, José Américo do Amaral, presidente do grupo Carroll Foods do Brasil, Rodrigo Benachio, gerente comercial da Suzuki, deixaram reuniões e relatórios pendentes. O analista contábil Rogério Sato, de 28 anos, ao contrário, conseguiu cumprir suas obrigações profissionais. Terminou o que tinha para fazer em Porto Alegre mais cedo e adiantou seu vôo. Hoje, no aeroporo de São Paulo seus parentes, chocados, entregavam às autoridades a documentação do rapaz que pegou o 3054.  Lucas Mattedi aproveitou as férias para ir até a casa da namorada. Aos 24 anos, fazia Administração de Empresas na PUC de São Paulo e foi ao Rio Grande do Sul para descansar. Bruna Nascimento, de 21 anos, Raquel Warmiling, 19 anos, e Rebeca Haddad também estavam aproveitando as férias da faculdade para viajar. Encontram-se todos no portão de embarque de Porto Alegre para São Paulo, às 17h, vôo 3054.  Com eles, voltava também o professor das Faculdades Associadas de São Paulo, Roberto Gavioli, que tinha acabado de ministrar um workshop sobre softwares na capital gaúcha. Seus colegas, Antônio Carlos de Souza, professor e diretor do Instituto de Geriatria e Gerontologia da PUC-RS, e Valdemarina Souza, professora da Faculdade de Educação à Distância, fariam uma conexão em São Paulo e seguiriam para Brasília - tinham uma reunião importante no Ministério da Justiça.  Alunos e professores embarcaram no mesmo vôo, exatamente às 17h16. No próximo semestre letivo, suas cadeiras estarão vazias, simbolizando o acidente do vôo que tomaram em Porto Alegre.

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