Congressistas desengavetam detector e agência escolar

Propostas que caíram no esquecimento são retomadas após chacina; associações veem [br]projetos com ressalvas

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2011 | 00h00

Após o massacre de Realengo, o Congresso Nacional vai desengavetar propostas que tratam de segurança nas escolas públicas. A instalação de detectores de metais, que já foi rejeitada duas vezes pela Câmara dos Deputados, volta à pauta com o controverso projeto do deputado Sandro Mabel (PR-GO), que pediu urgência na tramitação. Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pretende retomar a proposta de criação de uma agência federal "para a coordenação da segurança escolar" e, em homenagem às vítimas do ataque, pretende batizar o projeto de "Lei Realengo".

Os dois projetos foram elaborados antes do trágico episódio no Rio, caindo na geladeira legislativa de Brasília até voltarem à tona na esteira da comoção popular e da repercussão midiática do ataque aos estudantes. "É público e notório que os estabelecimentos de ensino vêm passando por uma onda de violência nunca antes vista", diz a justificativa do projeto de Mabel, apresentado em fevereiro deste ano.

Segundo Mabel, a ideia surgiu no fim do ano passado. "Andei pelas escolas e ouvi relatos de alunos com revólver, punhal. O detector vai dar mais segurança. Escolas guardam vidas e quanto vale a vida desses alunos? E a dos professores? As escolas deviam ter um detector muito melhor que o dos bancos."

Para o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Carlos Eduardo Sanches, a medida não traz efeitos positivos. "Esse caso poderia ter acontecido em outro lugar. O detector pode causar constrangimento entre alunos e até inibir a participação da comunidade", diz. A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) também é contrária.

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