Congonhas tem fila de táxi de 40 min

Na hora do desembarque, espera chega a reunir 100 pessoas; já em Cumbica, a principal queixa é em relação ao custo do serviço

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2011 | 03h01

A situação é corriqueira para quem chega de viagem a São Paulo: depois de enfrentar atrasos e desconforto nos aeroportos, uma fila imensa para pegar táxi. Em Congonhas, nos horários de pico, a espera chega a 40 minutos - mesma duração de uma ponte aérea Rio-São Paulo.

O grande lamento dos passageiros é a falta de opção - se não for táxi ou carro, o jeito é pegar um ônibus de linha até a estação de metrô mais próxima. "Se eu for de ônibus, pego trânsito do mesmo jeito. Como viajo a trabalho e daqui tenho de voltar para o escritório, acabo preferindo o táxi mesmo com a fila", conta o administrador de empresas Júlio Cesar Moreira, de 34 anos. Na quinta-feira, ele aguardava no fim de uma fila de pelo menos mais cem pessoas.

No ponto de Congonhas ficam exatos 1.075 táxis, o que para o presidente do Sindicato dos Taxistas de São Paulo, Natalício Bezerra, seria suficiente para a demanda.

"O problema é a entrada do aeroporto, que tem um acesso estreito. Aí o motorista faz uma corrida até o centro e demora para voltar, por causa do trânsito. Não adianta pôr mais carro, tem é de fazer um corredor de táxi na 23 de Maio", diz.

Como conexão expressa, o governo do Estado promete um monotrilho (a Linha 17-Ouro) ligando Congonhas ao Estádio do Morumbi até 2014. Depois, o ramal vai até o Jabaquara, integrando-se com a Linha 1-Azul do Metrô. As obras devem começar em dezembro.

Guarulhos. O calvário para sair do aeroporto não é diferente em Cumbica, Guarulhos, a 28 quilômetros do centro da capital. Lá, a distância e o preço são os principais entraves: uma corrida até o Itaim-Bibi, por exemplo, custa R$ 112; para o centro da cidade, R$ 90. Não raro, a parte "terrestre" da viagem chega a extrapolar até o valor da passagem de avião: um voo direto do mesmo aeroporto para Belo Horizonte custa em média R$ 70. Para Brasília, cerca de R$ 80.

Hoje, a opção mais barata de transporte até Cumbica é o ônibus de linha da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) que sai da Estação Tatuapé do Metrô e custa R$ 4,05 - mas faz paradas no meio do caminho e, assim como os carros, está sujeito ao trânsito da Marginal do Tietê.

A comissária de bordo Adriana Breder, de 35 anos, mora em Boston e, quando vem visitar a família em São Paulo, pega o Airport Bus Service, o serviço de ônibus executivo de Guarulhos para vários pontos da cidade.

"Tem conforto, mas é caro. Em Boston pago US$ 12 por um ônibus semelhante", conta. Aqui, custa R$ 33 - um aumento de 37% em relação aos antigos R$ 24 cobrados em 2006, quando o serviço começou a operar nos moldes de hoje.

"Até a Copa do Mundo, vai custar R$ 100", reclama o representante comercial Aurélio Luiz Bernardi, de 47 anos. É o trajeto aeroporto-centro mais caro do Brasil: em Curitiba, onde a distância do centro até o aeroporto é a mesma de Guarulhos (28 km), o ônibus executivo custa R$ 8. No Rio, R$ 7,50. Segundo a EMTU, o Airport Bus Service é um "serviço diferenciado, criado para atender os usuários do sistema de aviação que buscam mais conforto no deslocamento".

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