'Congonhas não deve receber grandes aviões', diz americano

Ditchey afirma que pista de aeroporto é curta demais para modelos como A320 e o Boeing 737

Patrícia Campos Mello, do Estadão,

19 de julho de 2007 | 07h55

'Não tem cabimento um aeroporto como o de Congonhas permitir o pouso do A-320 - a pista é simplesmente curta demais', afirma o especialista em aviação Robert Ditchey. Ele é um dos mais conceituados consultores americanos, ex-executivo de companhias aéreas, ex-piloto da Marinha e professor de Indústria da Aviação e Transportes Aéreos na Universidade Aeronáutica Embry Riddle.   Veja também: Empresário paulistano competiu na S. Silvestre Morte de 4 da mesma família comove Birigüi Irmãs queriam assistir a filme de Harry Potter Lista das 186 vítimas do acidente O local do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas?  Os piores desastres aéreos do Brasil A cronologia dos acidentes em Congonhas Galeria de fotos Assista a vídeos feitos no local do acidente   Segundo Ditchey, Congonhas deveria operar apenas com aviões menores, como turboélices ou pequenos jatos. E o Departamento de Aviação Civil (DAC) jamais deveria ter permitido a operação de Airbus 320 e Boeing 737 no aeroporto.   Ditchey acredita que o acidente pode ter sido uma combinação de 'barbeiragem' do piloto, que pousou muito próximo do final da pista ou tentou arremeter tarde demais, e incompetência das autoridades, que permitem um avião desse tamanho operar em Congonhas.   'O piloto tem uma margem de erro minúscula ao pousar um A-320 em Congonhas ou um Boeing 737 em Santos Dumont', disse Ditchey . Abaixo, trechos da entrevista que Ditchey concedeu ao Estado por telefone, da Califórnia.   O acidente poderia ter sido evitado?   Congonhas não é adequado para o A 320. A pista é muito pequena para um avião desse tamanho pousar à noite, com chuva. O A-320 tem um computador de bordo que auxilia o piloto - ele piloto insere dados como comprimento da pista, vento e chuva, e o sistema determina se é aconselhável pousar. Se o piloto tiver inserido esses dados, acredito que o sistema deve ter avisado que não era aconselhável pousar. Mas também depende da companhia aérea programar esse sistema de performance de vôo. De qualquer maneira, eu diria que não é possível culpar apenas a infra-estrutura, como a falta de uma maior área de segurança no fim da pista, de ranhuras ou de um sistema de contenção de concreto poroso. O piloto já conhecia todos esses problemas e tentou pousar em condições desaconselháveis. Houve erro humano do piloto, que teria arremetido tarde demais, ou pousado muito perto do fim da pista.Os aeroportos precisam manter uma margem razoável para erro, coisa que não existe para A-320 e 737 nem em Congonhas, nem em Santos Dumont.   O aeroporto de Congonhas deveria ser fechado, por estar bem no meio de uma cidade?   De jeito nenhum. O aeroporto doméstico Reagan, em Washington DC, e o Midway, em Chicago, estão na mesma situação e nem por isso foram fechados. O negócio é proibir que aviões maiores operem em Congonhas. E adotar medidas de segurança.   Houve negligência?   O DAC deveria ter proibido a operação desses aviões em Congonhas. A Airbus, como fabricante, deveria ter alertado as autoridades para a inadequação da pista de Congonhas ao A-320.

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