Confusões marcam a Parada

PM vai sugerir mudanças para 2010. Entre elas, a ampliação da área destinada ao público

Felipe Oda, Luisa Alcalde e Naiana Oscar, do Jornal da Tarde,

14 Junho 2009 | 23h57

A 13ª edição da Parada do Orgulho Gay, na Avenida Paulista, foi marcada ontem por brigas, confusões, desmaios e furtos, que vão fazer a Polícia Militar sugerir aos organizadores mudanças para o próximo ano. O número de brigas aumentou à noite, na dispersão da Parada, na Rua da Consolação, durante tentativa da PM em reabrir a via para o trânsito.

 

 

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O evento começou ao meio-dia e terminou oficialmente às 18h40 na Praça Roosevelt, uma hora antes do previsto. Mas, às 20h30, ainda havia participantes nas ruas. Foram realizados, até 20h, 412 atendimentos médicos, a maioria por consumo de álcool - número, segundo organizadores, 70% inferior ao de 2008 - e a PM registrou 10 casos de agressão, quatro furtos, três roubos e 11 brigas. Os casos considerados graves foram de um jovem de 16 anos esfaqueado e outro que teve fratura exposta.

 

Segundo uma das empresas organizadoras da Parada, a SP Eventos, participaram 3 milhões de pessoas. Mas o número oficial só deve ser divulgado amanhã. A Polícia Militar afirmou que não faz mais o cálculo de participantes. No ano passado, foram 3,4 milhões.

 

Para tentar melhorar a segurança para as próximas edições, o coronel Marcos Chaves, da PM, vai elaborar um relatório sugerindo a diminuição da área reservada embaixo do Masp para as bases da polícia e atendimento médico, liberando a faixa de ônibus e a calçada para o público. Outra ideia será prolongar as áreas proibidas para estacionamento de veículos para dois quarteirões além da avenida, em vez de um quarteirão. Mas ele negou que vá sugerir que a Parada seja transferida para outro local.

 

Duas horas depois do início da Parada, a confusão começou quando uma ambulância pegou um acesso errado e foi parar no meio da Paulista. Com isso, quem estava na Alameda Casa Branca e tentava avançar até o Masp ficou espremido nas grades de contenção. Houve empurra-empurra.

 

Os seguranças não contiveram a multidão, que avançou sobre a barreira, derrubando-a. A PM foi chamada para tentar conter o tumulto. Uma segunda barreira de metal foi instalada. Por diversas vezes, ela teve de ser reforçada com a ajuda de seguranças e PMs. No aperto, alguns frequentadores desmaiaram. Mães tentavam passar crianças e até carrinhos de bebê pelas grades para tentar sair dali. Às 16h, cinco pessoas se envolveram numa briga e foram feridas com cacos de vidro.

 

 

Bebida clandestina

 

 

A Guarda Civil Metropolitana enviou 350 agentes para coibir a venda de bebidas por ambulantes, mas o esquema não foi suficiente. Até as 18h, guardas encheram 6 caçambas com apreensões. "Como o evento é aberto, as pessoas vão para as transversais. É difícil conter", disse o inspetor da GCM Nilzo de Oliveira Filho. "A gente se esconde e vai vendendo", disse um camelô que levou 60 litros de vinho e 24 caixas de cerveja.

 

A bagunça e a bebedeira são vistas com reprovação por lésbicas e homossexuais mais velhos. Embora continuem achando o evento uma forma de amenizar a discriminação, eles temem que a atitude de alguns possa reforçar preconceitos. "Tem que ter alegria, mas sem desvirtuar", disse o economista José Ribeiro Filho.

 

Os 20 trios elétricos atravessaram a Paulista em três horas. Às 15h, a multidão seguia para o fim do evento sem o embalo da música eletrônica. "Acho que os trios foram mais rápido por causa da obra do Metrô", afirma o coordenador de comunicação do evento Cesar Xavier.

 

 

Bomba caseira explode e fere 30 pessoas

 

 

Cerca de 30 pessoas ficaram feridas no domingo, 14, à noite, após uma bomba caseira explodir na Av. Doutor Vieira de Carvalho, no centro. Segundo o coronel Marcos Chaves, responsável pela operação da PM na Parada Gay, às 21h40, o grupo estava parado ouvindo música alta e dançando em frente de prédios residenciais quando foi atingido. O agressor não havia sido identificado.

 

 

Colaborou Camilla Haddad

 

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