Confusão no carnaval tira R$ 700 mil da Império

Outras escolas também receberam multas de até R$ 6.774 pelo caso das notas rasgadas

ARTUR RODRIGUES , CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2012 | 03h04

Como punição pela confusão que terminou com as notas do carnaval 2012 sendo rasgadas, em 21 de fevereiro, a Prefeitura de São Paulo decidiu cortar a verba de cerca de R$ 700 mil que seria destinada ao próximo desfile da Império de Casa Verde e multar todas as outras escolas de samba.

"Fica claro que a Prefeitura e a sindicância entenderam que a Império de Casa Verde teve uma participação maior nesse episódio", afirmou o prefeito Gilberto Kassab (PSD). Ele relembrou que o principal responsável pelo tumulto, o modelo Tiago Faria, de 29 anos, estava com uma pulseira que era de responsabilidade da escola. Com ela, o rapaz teve acesso à área restrita para a diretoria e conseguiu chegar até a urna onde estavam sendo depositadas as notas.

"Se ele (Faria) roubou a pulseira da escola, a escola deveria ter denunciado. Se não roubou, foi ela a responsável pela presença dele lá", completou Kassab. Além de não ter verba pública para o próximo carnaval, a Império também não poderá fazer nenhum tipo de convênio com a Prefeitura por um ano.

Como se envolveram diretamente no incidente, Império de Casa Verde, Vai-Vai, Gaviões da Fiel, Camisa Verde e Branco, Pérola Negra, Rosas de Ouro e Unidas de Vila Maria terão a maior multa, de R$ 6.774,76. As demais escolas do Grupo Especial serão multadas em R$ 3.387,38 cada, por causa da falha de segurança. As agremiações do Grupo de Acesso pagarão R$ 1.914,60.

As penalidades foram decididas pela Comissão Especial de Avaliação do Carnaval de 2012 da São Paulo Turismo (SPTuris), com base no inquérito da polícia e em imagens da TV do dia da apuração.

Questionado sobre o motivo de outras escolas cujos dirigentes foram flagrados no meio do tumulto terem recebido penalidades mais leves, Kassab disse que o integrante da Império começou tudo. "Quando esses outros dirigentes participaram do tumulto, o tumulto já tinha iniciado, a apuração tinha se encerrado", disse o prefeito.

As escolas têm cinco dias para recorrer da decisão. Além das penas administrativas, a polícia indiciou nove pessoas pelo tumulto, entre elas dois presidentes de escolas: Darly da Silva, o Neguitão, da Vai-Vai, e Edilson Carlos Casal, da Pérola Negra,

Advogado e um dos diretores da Império de Casa Verde, Eduardo Lemos de Moraes, disse ontem por telefone que a escola não comentaria a punição. "Ainda não fomos notificados oficialmente, então não tenho como me manifestar. Não sei qual é o teor." Moraes também representa Tiago Faria, que foi preso no dia do episódio. "Depois que ele foi posto em liberdade, está aguardando a decisão da Justiça e ainda não recebeu a notificação da denúncia", disse.

Em nota, a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo informou que ainda não havia sido notificada pela Prefeitura das punições. Na próxima segunda-feira, a entidade deverá se pronunciar e informar sobre as punições que adotará contra as escolas.

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